BRASIL STREAMING 2018
11/06/2018, 22:47

Produção original brasileira no digital cresce, mas questões autorais específicas do país ainda limitam acordos

O terceiro painel do "Brasil Streaming 2018", organizado pelas publicações TELA VIVA e TELETIME nesta segunda, 11, abordou o tema "Produção original para plataformas digitais", especialmente no que diz respeito aos novos patamares de custos e orçamentos, novas janelas e novas estratégias para a indústria audiovisual.

Gilberto Toscano, sócio do Cesnik Quintino & Salinas Advogados, abriu o painel apresentando a principal problemática: as questões específicas do Brasil – como tributação, associação de classes, variável da regulação – limitam, de certa forma, acordos de produções nacionais com janelas internacionais. Por aqui, atua-se diante de um cenário de pluralidade de modelos de negócios das plataformas – por conta dessa diversidade é tão difícil colocar em prática a aplicabilidade dos parâmetros da produção original para televisão a esse ambiente de VOD. E, especialmente em relação aos conteúdos originais brasileiros, o problema é que não se pode contar com o FSA se a produção for viajar o mundo depois, uma vez que, em teoria, a regra define que o produto precisa continuar sendo propriedade brasileira. O empecilho existe no patamar dos direitos patrimoniais.

Esse cenário de possibilidade de fomento nos conteúdos originais para o digital até pode mudar, mas está sujeito às seguintes variáveis: a plataforma em questão, o conteúdo e a urgência que há pelo seu lançamento.

Por aqui, a modelagem das atuais produções originais nacionais para streaming esbarra em questões como as variáveis na negociação do fluxo de desembolso dos recursos para produção e nas limitações legais, passando ainda pela concentração da propriedade nas mãos do financiador integral.

O que tem sido feito

Apesar disso, cada vez mais se fala em produção de conteúdo "original" e a carga de credibilidade que isso afere. "O termo original virou praticamente um selo de curadoria.", define Toscano. Tiago Mello, diretor de conteúdo e de negócios da Boutique Filmes, sabe bem disso: sua produtora é a responsável por "3%", primeira série original brasileira da Netflix, que atualmente já conta com duas temporadas na plataforma e uma terceira com lançamento já confirmado para 2019. "Nosso case é uma prova de que hoje em dia o idioma já não é mais uma barreira. Na Netflix, por exemplo, há séries do Brasil, da Espanha, da Dinamarca, entre outros países. O VOD abre para nós essa janela mundial.", diz. Para Mello, o momento é instigante, porém favorável para o Brasil: "O VOD explora nosso potencial. Temos um público apaixonado por esses conteúdos e consumidor voraz de filmes e seriados. Por isso nos destacamos nesse cenário.".

João Worcman, diretor geral da Synapse, apresenta seu ponto de vista como distribuidor de conteúdo para todas as mídias com um exemplo de case original lançado recentemente. "Onde Estão Todos os Alienígenas?", documentário do youtuber Felipe Castanhari, levou o profissional da internet para o TVOD, com o lançamento do seu conteúdo de forma exclusiva no NOW, inicialmente, e após um período de 30 a 45 dias com entradas também no iTunes, Google Play e Telefonica. "A ideia é abrir novas janelas e gerar diferentes receitas para os conteúdos.", afirma. O documentário ainda foi anunciado no canal do YouTube e nas redes sociais do influenciador, que acumulam milhões de seguidores, e ambas as ações funcionaram como publicidade para o produto, fechando assim o ciclo de lançamento. "Pouco tempo após a estreia, o filme chegou ao 'NOW Recomenda', que é um dos espaços mais valorizados do TVOD na América Latina e é definido apenas com base nos mais vistos, ou seja, não pode ser comprado nem permutado.", comemora.

Comentários

3 Comentários

  1. Flavio disse:

    A manutenção de detenção dos direitos
    patrimoniais com a produtora brasileira é impeditivo?
    Vamos sempre lembrar que o dinheiro que financia as
    Obras via aporte do FSA e leis de incentivo são recursos frutos de tributação.
    Recursos arrancados da sociedade.
    Não se pode sair aprovando projetos de captação, selecionando e contratando,
    liberando recursos, aprovando contas etc. sem obedecer os princípios e regras
    do regime administrativo público, nem com desvio das diretrizes e metas da política pública.

    • Flavio Vonlanten disse:

      Oi Xará. é um impeditivo no sentido de que a empresa estrangeira (leia-se as majors) não tem controle sobre o conteúdo, o tal "Poder Dirigente", tendo que reportar e aprovar com um produtor brasileiro cada passo da estratégia. Isso é um problema para o executivo que está acostumado a controlar rigorosamente tudo no que diz respeito a produção e estratégia da Obra. Além do mais, se a empresa estrangeira investir recursos próprios e o produtor tem 51%, imagine que o conteúdo vai muito bem e fature 100 milhões de "dinheiros", 51% vai pro produtor. Isso acaba formando uma barreira onde o produto brasileiros ficam em segundo plano e não ganham destaque, não trazendo retorno financeiro e assim acabam sendo priorizados por outras obras que dão lucro. É um circulo vicioso que precisa de nova regulação pra melhorar pra todos os lados. Abs.

  2. Flávio disse:

    Que internacionalizar?! Faz a obra viajar via licenças.

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