Editorial
Quem banca a web TV?
André Mermelstein
Ninguém duvida que o vídeo já é e será ainda mais uma das grandes atrações da web. O consumo de vídeo online vem crescendo no mundo todo, e mais fortemente ainda no Brasil.
Atentas a isso, as empresas vêm investindo na aquisição ou produção de conteúdos para esta plataforma. No último mês o portal Terra anunciou a aquisição de novas séries, todas de sucesso na TV por assinatura, e ainda uma novidade: a exibição dos episódios no mesmo dia da TV, com uma hora apenas de diferença (modalidade conhecida como "catch-up TV", ou seja, o usuário que perdeu um episódio pode assisti-lo em seguida na web). O canal Sony também passou a oferecer algumas de suas séries na íntegra via web.
Na matéria de capa desta edição você verá outros exemplos de como os canais investem na web, principalmente aqueles voltados aos jovens, ou "nativos digitais", que nasceram já na era da informação e navegam com muita facilidade entre todas as mídias. Nem se trata mais de uma opção, mas de uma imposição do próprio mercado, já que esta geração exige o conteúdo multiplataforma.
A questão é: que modelos de negócio sustentarão estas e outras ofertas no médio e longo prazo?
A opção, por enquanto, é claramente estratégica. Trata-se de "botar um pé" no mundo do conteúdo audiovisual, no caso dos portais de Internet, ou de garantir que, já que as pessoas baixarão estes conteúdos de qualquer jeito (legal ou ilegalmente), elas pelo menos o façam dos portais das próprias televisões, que esperam gerar pelo menos alguma receita de publicidade com isso. Estas receitas vêm aumentando, mas ainda não fecham a equação.
Deve-se ter cuidado para que as estratégias não sejam predatórias. Afinal, há modelos já bem estabelecidos, como o do broadcast e da TV por assinatura, que geram valor para produtores, distribuidores e exibidores.
A época é de transição, e o desafio é achar o equilíbrio entre a nova realidade e o modelo tradicional. Nesse aspecto, a crise financeira internacional deve dar uma mãozinha. Se os recursos faltarem, prevalecerão os modelos que efetivamente gerem receita para toda a cadeia de valor.
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