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DEZEMBRO 2007 - Nº 178 ÍNDICE

produção

Logística entra em campo

Equipe do pay-per-view de futebol da Globosat se prepara para coordenar a produção e a transmissão de mais de mil jogos em 2008; parceria com produtoras independentes é fundamental para a programadora.

Daniele Frederico

Enquanto os jogadores suam a camisa para marcar gols e defender o seu time, a equipe que cuida dos jogos de pay-per-view da Globosat tenta driblar as dificuldades apresentadas durante a produção e a transmissão dos jogos para os assinantes. Com 894 jogos produzidos em 2007 e 1.222 previstos para 2008, a programadora mostra que realizar esse trabalho requer mais do que ter os direitos de transmissão. Demanda uma complicada operação logística e parcerias com produtoras independentes para dar conta do recado. “A tendência das pessoas ao discutir o futebol na televisão é reduzir a questão a direitos de distribuição e exibição, eliminando da discussão a razão do sucesso do produto: a estratégia do negócio”, diz o diretor dos canais Premium da Globosat, Elton Simões.

Ele explica que um serviço como o de pay-per-view da Globosat (que oferece a opção de compra de jogos avulsos, pacotes de campeonatos e ainda um título de sócio do Premiere Futebol Clube, que dá direito a 24 horas de programação do canal PFC e a pacotes que incluem o Campeonato Brasileiro das séries A e B e um campeonato regional: Paulista, Carioca, Mineiro ou Gaúcho) começa muito antes do momento da venda das assinaturas. “O nosso trabalho começa arrumando a tabela de jogos junto aos clubes. Depois pensamos a logística para minimizar os custos e apenas em uma terceira etapa, produzimos e transmitimos os jogos para o assinante”, diz Simões.

O processo começa em agosto do ano anterior, quando os executivos da Globosat discutem com os clubes e as federações os horários da tabela. A cada ano são realizadas sete negociações para definir os horários de todos os jogos: duas com as entidades responsáveis pelas séries A e B do Campeonato Brasileiro e outras cinco com as federações estaduais. “São 76 clubes de cinco federações diferentes. Precisamos coordenar as tabelas para que elas sejam complementares, já que podemos produzir no máximo de quatro a cinco jogos no mesmo horário”, explica Simões.

Esse número de jogos simultâneos é calculado a partir dos custos de produção e da disponibilidade do assinante para assistir ao jogo. “Se passarmos mais de cinco jogos no mesmo horário, o assinante extrai menos valor do produto”. Além disso, a transmissão simultânea encarece os custos de produção. “É necessário deslocar muitas equipes, há encarecimento do satélite e ainda aumenta a pressão sobre a restrição de banda utilizada”, explica Simões.

Além das equipes e do equipamento, para garantir a qualidade da produção e da transmissão das partidas, a equipe da Globosat – que hoje conta com cerca de seis pessoas fixas na área nacional e oito na internacional – precisa verificar a condição de todos os estádios onde acontecerão os jogos e a facilidade de acesso a eles. “Alguns estádios não têm cabine de locução ou iluminação noturna, por exemplo. Coordenar as tabelas envolve não marcar um jogo noturno em um lugar que não tenha iluminação adequada”, exemplifica Simões. “Se transmitimos um jogo do São Raimundo, time do Amazonas, precisamos deslocar o caminhão e a equipe por balsa, fazer o uplink no meio da selva, transmitir para a Globosat e então subir o sinal”, conta o diretor da programadora.

É por necessidades específicas como essas que a produção de jogos regionais chega a ser até 50% mais cara do que a dos jogos realizados em grandes capitais, segundo Simões. “Transmitir um jogo do Barra do Piauí, por exemplo, demanda encontrar uma cidade onde haja um caminhão disponível, conseguir deslocar esse caminhão por terra e ainda manter a equipe por pelo menos um dia lá”, afirma. “Ao fazer de quatro a cinco jogos simultâneos, conseguimos manter os custos fixos sob controle. Já o custo variável, que não é alto individualmente, cresce muito quando se multiplica por centenas de jogos”.

Simões enumera os três elementos necessários para a produção ao vivo (além da parte de transmissão, localizada na sede da Globosat no Rio de Janeiro). O cast (locutor e comentaristas), a equipe de apoio (produtores, coordenadores de produção etc) e a parte técnica (caminhão, cabos, câmeras etc). No total, são cerca de 15 pessoas dedicadas a um jogo. “Se considerarmos que são 20 jogos por final de semana, temos cerca de 300 pessoas envolvidas no trabalho de trazer o sinal para a Globosat”, diz.

O envio de 300 pessoas a estádios em todo o Brasil e o deslocamento do equipamento seriam inviáveis se não fosse por meio de parcerias. Simões conta que para não precisar utilizar equipe própria, a programadora trabalha com parceiros – especialmen-te as afiliadas da Globo e as produto-ras independentes. A programadora trabalha no período de um ano com uma quantidade que varia de 18 a 20 produtoras independentes.

Alta definição

Quando o assunto é captação e transmissão de futebol, não se pode deixar de pensar em como a chegada da alta definição na TV por assinatura vai afetar esse modelo de produção. Em 2007, dos 894 jogos produzidos pela Globosat, cerca de vinte (da fase final do Campeonato Brasileiro) foram captados em alta definição. Segundo o diretor de engenharia da Globosat, Gerson Novaes, alguns destes jogos foram captados em HD para gerar arquivo de material e outros para aprendizado. Para 2008 a idéia é ampliar esse tipo de captação para cerca de 60 jogos de futebol (e outros 40 eventos de outros segmentos, como shows e programas). “Acreditamos que a alta definição será bastante interessante na transmissão de eventos esportivos. Não só pela qualidade, mas também pelo formato das transmissões, que terão mais informações sobre o que acontece no campo ou na quadra”, diz Novaes.

Embora a necessidade de captação em SD ainda seja predominante para a programadora, as produtoras que trabalham em parceria para a produção e a transmissão dos jogos deverão estar preparadas para a realização do trabalho em alta definição. “As produtoras deverão acompanhar as necessidades do mercado. Atualização tecnológica de seu pessoal e modernização da infra-estrutura serão fundamentais. Como a transmissão em alta definição demanda uma infra-estrutura técnica nova, os caminhões de produção deverão receber câmeras, lentes, mesas de vídeo e áudio compatíveis com a tecnologia”, explica Novaes.

Crescimento

A cada ano, a quantidade de jogos produzidos e transmitidos pelo pay-per-view da Globosat aumenta (veja gráfico). Segundo Simões, a tendência observada até o momento é de aumento no número de sócios do Premiere Futebol Clube e de venda de pacotes de campeonatos, enquanto o número de compras avulsas diminui. Em 2001, por exemplo, foram vendidos 227 mil pacotes da série A do Campeonato Brasileiro, e 160 mil jogos avulsos. Em 2007, esse número foi de 387 mil pacotes (sendo cerca de 95% provenientes dos sócios-assinantes) e 95 mil jogos avulsos. Para 2008 a expectativa da programadora é vender 550 mil pacotes da série A. Esse crescimento do pay-per-view leva a outros tipos de resultado que não somente o lucro da programadora, como conta Simões. Ele ressalta que o pay-per-view disponibiliza jogos que de outra forma não seriam produzidos ou exibidos. “Este ano vamos totalizar quase 60 partidas da Ponte Preta. Se não transmitíssemos esses jogos, não haveria sequer um terço deles na televisão”, exemplifica.

Ele também explica que o pay-per-view tem ajudado os clubes a crescer. No modelo de negócios da programadora há uma parceria com os clubes e uma divisão de receitas (revenue share) no caso da série A do Campeonato Brasileiro. “Além do revenue share, os jogos contribuem para a receita dos times, já que servem como vitrine para os jogadores”, diz Simões, ressaltando que o canal 24 horas também é distribuído internacionalmente.

E pro último, o diretor dos canais Premium da Globosat lembra que o assinante também se beneficia do crescimento do pay-per-view, já que por um preço estável, ele tem uma quantidade maior de jogos a cada ano. Considerados os jogos dos campeonatos Paulista e Brasileiro (série A), em 2007 foram 482 jogos, a cerca de R$ 600 ao ano (considerando o valor pago anualmente pelos sócios do Premiere Futebol Clube). “Em 2008, sem aumento significativo de preços, serão transmitidos 576 jogos desses pacotes, o que significa uma queda de quase 20% no preço”, afirma. “Com a produção de mais jogos,
o clube ganha mais e o assinante paga menos por jogo”.

Para 2008, o plano é cobrir 100% dos jogos do Campeonato Paulista e da série B do Brasileirão. “Crescemos com o aumento da produção e a integração de novos campeonatos”, conclui Simões.

COTAS DO SPORTV ESTÃO FECHADAS

Os canais SporTV realizam as suas transmissões em parceria com o pay-per-view. No caso do SporTV, porém, há cotas de patrocínio disponíveis. Para 2008, todas as cotas já foram adquiridas pelos anunciantes Ambev, Fiat, HSBC, Penalty, Telefonica e Vivo. Cada cota, no valor de tabela de
R$ 21.723.410,00, dá direito a 9.262 inserções. O pacote inclui o Brasileirão (séries A e B), campeonatos estaduais (Paulista, Carioca, Mineiro, Baiano e Gaúcho), Copa do Brasil, Libertadores da América, Copa Sul-Americana, Taça São Paulo de Futebol Junior, Amistosos da Seleção Brasileira, Eliminatórias Copa do Mundo 2010.