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Dezembro 2007

Edição 178




TV POR ASSINATURA

Projeto de Lei propõe cotas de programação nacional

TV DIGITAL
Grupos regionais se preparam para a transição

TV BRASIL
Desafio agora é a conquista do público

PRODUÇÃO
Globosat captará quase mil partidas
de futebol em 2008

AUDIOVISUAL
Congresso Brasileiro de Cinema tem
nova diretoria

ANIMAÇÃO
Mauricio de Sousa em busca do mercado internacional

ARTIGO
As promessas do mercado de games

CINEMA
Cineclubes ganham espaço no cenário político

sempre na tela
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Editorial

O que você quer ver?

André Mermelstein

A tentativa do Legislativo de criar uma nova regulamentação para as comunicações em tempos convergentes acabou se desviando das grandes questões. O debate sobre temas importantes, como a propriedade e controle dos meios de comunicação, a regionalização e a participação da produção independente na televisão virou, na última hora, uma discussão sobre cotas de programação nacional na TV por assinatura.

O PL 29/2007, se for aprovado como está propondo o deputado Jorge Bittar (PT/RJ) em seu substitutivo, será de execução no mínimo complexa. Como está, além de obrigações inéditas, o texto traz mais dúvidas que esclarecimentos.

Operadoras e programadoras estão em pânico, porque a proposta de Bittar mexe em detalhes da programação hoje comercializada, algo que a legislação atual não chega nem perto de fazer. A ABTA tenta mobilizar os assinantes com uma campanha na TV e na internet contra a imposição de conteúdos. Os produtores comemoraram a iniciativa das cotas, e mesmo não querendo melindrar seus bons clientes, os canais pagos, apóiam o deputado Jorge Bittar. Mas nessa história, todos correm enormes riscos.

A idéia da ABTA de envolver os assinantes pode ser um tiro no pé, pois eles podem concordar com a idéia de não serem obrigados a pagar por conteúdos que não querem assistir e começar a reclamar dos intermináveis infomerciais, ou até exigir canais à la carte. Afinal, ninguém quer mesmo pagar pelo que não usa.

Os produtores nacionais reclamam por mais espaço, mas podem ganhar a antipatia dos assinantes de TV paga se não conseguirem atendê-los com qualidade e se o conteúdo nacional tomar o lugar de conteúdos estrangeiros dos quais as pessoas gostem.

Bittar acerta ao criar novos mecanismos de financiamento da produção audiovisual nacional, como o uso de parte do Fistel. Mas em lugar de impor que os canais de TV paga carreguem conteúdos nacionais compulsoriamente, poderia apenas obrigar as operadoras a oferecer os canais nacionais a quem quisesse comprá-los, impedindo a restrição a qualquer grupo, sem que se precisasse fazer uma cirurgia aparentemente inexeqüível na programação atual.

Cabe também uma explicação clara à sociedade sobre as razões para não colocar os mesmos mecanismos de estímulo ao audiovisual nacional na TV aberta, que é gratuita e utiliza um espectro público, pelo qual chega a mais de 95% dos lares brasileiros.

Uma coisa é certa. Ninguém, nem os deputados, nem os produtores, nem os canais e nem os programadores perguntaram ao assinante o que ele quer ver. E ele, coitado, é quem acaba pagando a conta, qualquer que seja o resultado.