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Cinema no Ceará
Lizandra de Almeida
Em muitos lugares do Brasil, viver de cinema ainda é muito difícil. Em Fortaleza, os poucos anos de existência do Instituto Dragão do Mar garantiram a formação de um pólo que se mantém e garante aos profissionais trabalho constante, mesmo que diversificado.
A situação é reforçada pelos editais
de produção lançados há sete anos pelo Governo do Estado do Ceará
e, mais recentemente, pela
Prefeitura de Fortaleza.
É graças a essa formação que o roteirista e assistente de direção Armando Praça pôde desenvolver seus projetos. Nascido em Aracati, a 160 km de Fortaleza, cidade mais conhecida por abrigar a praia de Canoa Quebrada, Armando sabia que queria trabalhar com arte, mas não tinha idéia de como se encaminharia. Quando terminou o ensino fundamental, se mudou para Fortaleza, pois em Aracati não havia escolas de ensino médio. Sua irmã mais velha já tinha feito o mesmo caminho. Ainda estava no segundo grau quando abriu o Dragão do Mar, mas não pude me matricular. Assim que acabei, me inscrevi. Pensei no curso de teatro, mas era muito tímido, então optei por dramaturgia. Pouco depois abriu o curso de realização audiovisual e me inscrevi também. Fiquei lá de 1997 a 1999.
Na hora de apresentar o trabalho de conclusão de curso, podia optar por um roteiro ou uma peça, e preferiu o roteiro. Desde que saiu do curso, as oportunidades foram surgindo. Só não gostava muito de publicidade, então preferi fazer um pouco de tudo em cinema. Participei de quase todos os curtas e longas que foram feitos aqui desde então, em alguma função. E de muitos vídeos e institucionais também.
A primeira oportunidade surgiu quando fez o curta de um colega, um documentário, produzido por Tito, que mais adiante produziria os curtas do diretor Karim Aïnouz. Era um produtor bem atuante na época e nos entendemos bem, então comecei a fazer assistência de produção para ele. O curta de Aïnouz produzido em seguida foi “Rifa-me”, que deu origem ao longa “O Céu de Suely”. Pouco depois, trabalhou no longa “As Tentações de Irmão Sebastião”, de José Araújo. Ele me chamou para fazer assistência de produção, mas disse que preferia fazer um estágio de direção. Acabei ficando como segundo assistente.
A partir daí, começou a fazer cada vez mais assistência, além de muitas pesquisas para roteiros e documentários. Foi o que fez no longa “O Céu de Suely”, além de pesquisa de locação e elenco. A pesquisa de elenco aconteceu no Brasil inteiro, fiz na Paraíba e no interior do Ceará.
A especialização vem vindo aos poucos, mas Armando gosta do trabalho de assistente de direção, que dá a dimensão do todo, fica perto da direção e da produção. O Estado ficou algum tempo sem cursos de formação, mas hoje já estão sendo criadas novas oportunidades. Muitas pessoas que ficaram hoje também dão aulas.
Com o fim do Instituto, muitas pessoas foram embora, mas as que ficaram se organizaram para pedir a abertura de editais de produção. Graças a esses editais, Armando já produziu o vídeo “Parque de Diversões” e o curta “Amor do Palhaço”, ambos premiados em vários festivais. Agora prepara seu segundo curta, que tem o título provisório de “Mulher Biônica”. É um roteiro baseado no conto de Caio Fernando Abreu chamado “Creme de Alface”, mas ainda não sei se posso usar esse título.
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