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Agosto 2006

Edição 163

EVENTO
Broadcast&Cable mostra as
ferramentas para a digitalização da TV

TECNOLOGIA
HD ENG - Como
fazer jornalismo
em alta definição

ABTA 2006
Com a entrada de novos players, programadores mostram que têm posição de destaque na TV paga

MERCADO
Presidente da Sky diz que quer parceria com as teles, mas pede regulamentação

RADIOFUSÃO
Mesmo após a escolha do padrão, TV digital continua gerando discussões acaloradas

CINEMA
Curtas ganham janela de distribuição
com coletâneas em DVD

sempre na tela
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Editorial

Regulamentação incerta

André Mermelstein

Nenhum assunto tem sido tão debatido nos últimos meses quanto o movimento de entrada das operadoras de telecomunicações, sobretudo as de telefonia fixa, no mercado de distribuição de vídeo.
O tema não se restringe ao Brasil. Nos EUA começa a haver competição real entre operadoras de TV a cabo e teles pelo provimento do chamado triple-play, a oferta em uma única plataforma de serviços de vídeo (TV por assinatura e video-on-demand), voz (telefonia local e longa distância) e dados (acesso banda larga à Internet). As redes de cabo, com sua grande penetração no mercado norte-americano, vêm comendo receita das telefônicas. Estas, por sua vez, investem pesado para levar mais banda à casa dos assinantes.
Na Europa a TV por redes de banda larga (IPTV) é realidade há alguns meses, principalmente na Espanha, França e Itália. E na América Latina a Telefônica já opera o serviço de DTH (TV por satélite) em alguns países.
No Brasil, os fatos recentes expõem o despreparo da regulamentação para lidar com esse fenômeno global.
A Telefônica optou pelo caminho mais fácil, pedindo uma licença de DTH à Anatel. Dificilmente será barrada, pois a regulamentação do DTH, muito mais flexível, é completamente diferente da de TV a cabo, como se fossem serviços que não concorrem no mesmo mercado. Já a Telemar fez o que no jargão jornalístico se chama de "balão de ensaio". Comprou uma operadora de cabo pequena (a Way Brasil, de Minas Gerais), para ver como a Anatel reage. Está nas mãos da interpretação da agência (sujeita, aliás, a todo o tipo de pressão), o entendimento que pode mudar definitivamente a cara do setor. A legislação tem tantas brechas e sobreposições que a luta se dará não na arena do mercado, mas nas bancas de advogados. A falta total de disposição do governo em avançar em uma nova lei de comunicação, contemplando os serviços convergentes, só agrava a situação.
A entrada de investidores e novos players, sejam eles as teles ou qualquer outro, pode ser boa ou ruim. Se a entrada for para competir lealmente, pode ser um impulso para toda a indústria. Se for para fazer dumping e desvalorizar todo o serviço para garantir a fidelidade do assinante, será trágico para o setor. Depende, sobretudo, das regras do jogo, com a liberdade de iniciativa dos novos entrantes respeitando a legalidade e o direito de quem já investiu pesado no negócio.