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televisão
Natural da Amazônia
Carlos Monteiro
Amazonsat digitaliza o sinal no satélite e aposta na força regional para comercializar sua programação.
A região norte do Brasil não é a mesma há um bom tempo. Na verdade, depois da cobertura via satélite sob as asas da Embratel, no início da década de 1980, muita coisa mudou pelas bandas da região amazônica. Também sintonizado pela parabólica, o canal de televisão Amazonsat, criado em 1993, está passando por ajustes e investimentos. Segundo o gerente geral da Rede Amazônica (são dez empresas que compõem o grupo), Phelippe Daou Jr., a partir de 15 de julho o sinal do satélite será codificado. Sai o sinal analógico e entra o digital, ao custo mensal de aproximadamente R$ 50 mil para a emissora. Daou Jr. explica que esse avanço é necessário para atender exigências de mercado e estar preparado para novas convergências, inclusive com a distribuição de conteúdo pelo celular. Esse projeto já está sendo estudado pela empresa, com sede em Manaus. Atualmente o sinal é disponibilizado pela parabólica e sem custos para diversas operadoras de TV paga pelo Brasil. Depois de julho, a operadora que tiver interesse em ofertar o canal terá que pagar. “Fazer televisão custa caro. Investimos muito e agora o canal está se tornando viável por conta da regionalização”, diz o gerente geral. Mesmo com a cobrança, a população do estados do Norte do Brasil não deve ficar sem o canal em sinal UHF e VHF. Cerca de 46 cidades dos estados do Amazonas, Acre, Rondônia, Amapá e Roraima têm repetidoras em sinal aberto. O grupo busca junto ao Ministério das Comunicações cerca de 200 autorizações de retransmissoras na região, o que reforça a tese de investir no regional e “quem sabe futuramente ter uma geradora em cada capital onde já estamos”, completa Daou Jr. O canal cresceu de forma tão considerável que já tem base fora da região Norte. Uma equipe, composta por doze profissionais, entre técnicos, jornalistas e executivos, está instalada em Brasília. “Aqui na sucursal de Brasília mantemos um uplink que gera material de interesse da Amazônia para as diversas emissoras de rádio e TV do grupo”, diz Raimundo Moreira, diretor da Rede Amazônica na capital federal. O material de interesse a que se refere Moreira são basicamente informações geradas no Congresso Nacional. Outro nicho em que o canal investe está fora do Brasil. Tem parceria com um portal especializado em televisão, o jumptv.com, do Canadá. O acesso ao conteúdo desse portal é cobrado.
Mesmo sendo uma empresa integrante da Rede Amazônica (que retransmite a TV Globo em boa parte da região Norte), o Amazonsat deixa claro que não existe conflito com a parceira Globo. O canal é independente, inclusive com registro próprio. O conteúdo busca ter a linguagem peculiar das comunidades da região em que se faz presente. Isso fica claro na grade de programas.
O que antes era um canal que só mostrava intermináveis clipes de rios e florestas, hoje exibe uma programação variada com a autêntica cara da Amazônia. São cerca de vinte e três programas que mostram desde jornalismo até literatura, aos “Sabores da Amazônia”, passando pelo “Gente do Norte” até o “Qualeh?!”, que fala a linguagem do jovem amazônida.
A música regional é valorizada no programa “Tribos Sat” que apresenta clipes e shows dos cantores regionais, além de acústicos com os principais intérpretes da Região Norte.
O departamento comercial reforça a estratégia de que cada programa deve ter características próprias da região. É explícita a proposta de associar a marca de anunciantes a grife “Amazônia”, relacionando marcas a ações ecologicamente corretas. “Nosso foco é bastante regional”, diz Josana Andrade, executiva de vendas do Amazonsat. Ganha o povo da Amazônia que se vê retratado com a proximidade, quase impossível, das grandes redes nacionais. Josana também destaca que os valores dos anúncios são bastante atrativos.
A organização das tabelas de horários e valores é simples. Um anúncio de 30” tem apenas três valores fixos: R$ 140 da meia-noite ao meio-dia; R$ 244 de meio-dia às 18h00 e R$ 314 das 18h00 à meia-noite.
E o Amazonsat parece saber para qual público está falando. Três formatos de programas são comuns e fazem sucesso, que se reverte em audiência. São programas de auditório, esporte e colunismo social. É comum, apresentadores do canal destacarem que a programação cobre todo o Brasil e parte de países vizinhos. Alguns chegam a mandar abraços, beijos e agradecem a audiência pelo Brasil afora. Essa realidade aquece o mercado. As agências sabem disso e estão sempre desenvolvendo planos de mídia específicos para o público atingido por esse tipo de emissora. Nos dias atuais é impossível se falar em novos negócios da comunicação sem levar em conta o potencial da região Norte do país. O eixo Sul-Sudeste já oferece infra-estrutura de sobra. O Nordeste movimenta, de forma sazonal, vários grupos de comunicação que investem em festas populares, como o Carnaval, micaretas (carnaval fora de época) e festas juninas. De alguma forma, os grandes grupos de mídia do nordeste estão na linha de frente desses eventos. Procuram atrelar a marca do evento com a marca do grupo. E a região Norte? O Amazonsat, por ser um canal temático da Amazônia pode se tornar uma ferramenta estratégica de comunicação segmentada na população que ainda está acostumada a consumir o sotaque e parte de informações do eixo Rio-São Paulo. É esperar e assistir; ainda que pela parabólica, operadoras de TV ou pela Internet. |