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Abril 2006

Edição 159

EVENTO
MIP TV mostra que produtores já
pensam em multiplataforma

MERCADO
A parceria Brasil-Canadá
para co-produções

CAPA
Mesmo com recursos, teles terão dificuldades para entrar nos serviços de TV

TV POR ASSINATURA
Convergência é o foco dos
debates na NCTA

ARTIGO
Gustavo Dahl avalia os últimos
15 anos do cinema nacional

sempre na tela
NO AR
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UPGRADE AUDIÊNCIA

Editorial

Um século em 15 anos

André Mermelstein

Tela Viva entra em seu 15º ano de existência, e a partir deste
mês traremos textos especiais lembrando este período, a começar pelo excelente artigo de Gustavo Dahl sobre a
evolução do cinema nacional.
Para quem acompanha os mercados de televisão e cinema, este período viu mudanças de toda ordem, da tecnologia à regulamentação e aos modelos de negócio, que marcaram uma revolução na forma como produzimos e consumimos informação e entretenimento.
Exagero? Então segure-se firme. Há 15 anos não existiam no Brasil, pelo menos não comercialmente ou em escala considerável: DVD, celular, câmeras digitais, e-mail, web, iPod, TV a cabo e satélite, Wi-fi, banda larga, smartphones, podcasts, CD-R, handhelds, IPTV, VoIP, blogs, fotologs, videologs, SMS, MMS... e mais uma meia dúzia de siglas esquisitas que posso ter esquecido. Não havia nem mesmo a Internet baseada em uma interface gráfica e amigável de navegação, como a que temos hoje.
Não é só isso. Produzir conteúdo era para poucos. Distribuir, para pouquíssimos. Os equipamentos eram caros, grandes e exigiam
mão-de-obra altamente especializada, manutenção técnica constante, reposição de peças.
Há algumas semanas, em um seminário com empresas canadenses promovido pela associação dos produtores independentes, o diretor do Bell Canada Fund, Charles Zamaria, iniciou sua palestra dizendo “Mass media is dead” (a comunicação de massas está morta), citando justamente essas novas possibilidades de produção e difusão online de conteúdos.
Há algum exagero, certamente. A maioria da população continua se informando e entretendo através dos grandes veículos, especialmente nos países em que a massa não tem acesso à tecnologia. Mesmo para quem tem banda larga, celular etc, a comunicação de massa ainda é um grande referencial cultural. Mas é uma afirmação que nos faz refletir sobre os próximos 5, 15, ou 30 anos. Quem tem filhos pré-adolescentes ou adolescentes sabe o que isso significa. A nova geração possivelmente nem saberá o que significa as expressões “jornal das sete” ou “novela das oito”, porque já consome seus conteúdos “on demand”.
As novas formas de produzir e distribuir ainda não mudaram radicalmente o fluxo das receitas do entretenimento (exceto no caso da indústria da música, onde as mudanças bateram mais rápido). Mas ninguém duvida que isso acontecerá em maior escala nos próximos anos.
Continuaremos aqui, com nossas revistas, sites, eventos e o que mais vier, ajudando a todos a entender os novos cenários, em constante mutação. A única certeza é a de que cada vez mais serão os valores intangíveis, como a marca e os talentos criativos, que farão a diferença.