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Cliente Ford
Produto Focus
Produtora Miksom
Criação Paulo Suplicy e Luciano Angelini
Coordenação do projeto Paulo Suplicy
Diretor de arte Luciano Angelini e
Leo Soares
Direção vídeo 3D Raul Castrezana
Computação Gráfica vídeo 3D
Macchina 1 (Ivã Righini)
Vinhetas e grafismos
Cinegráfika (Mirella Cosimato)
Captação de imagens Frame a Frame
Produção Equipe Miksom

Projeção Astrovision. Logotipo formado pela projeção em 360o. A instalação para projeção em 360o. Vídeo sobre a performance do carro em 360o. Imagem da projeção 3D sem a polarização.

Uma megaprodução audiovisual foi desenvolvida pela produtora Miksom para o estande da Ford no Salão do Automóvel, que aconteceu em São Paulo, e para a apresentação do novo carro Focus, realizada em Fortaleza (CE) durante o mês de outubro. Entre a concepção do projeto e sua realização, a equipe da Miksom gastou mais de três meses pesquisando fornecedores que pudessem concretizar as idéias dos criativos da casa.

Quatro instalações mostravam em detalhes as características do novo top de linha da Ford, com os mais variados tipos de projeção e recursos tecnológicos em formatos totalmente inusitados.

Um dos ambientes mostrava uma projeção 3D, daquelas que exigem o uso de óculos especial que faz os contornos da imagem se destacarem da tela. Esse projeto foi realizado pela produtora de computação gráfica Macchina 1, uma das únicas a trabalhar com o processo de estereoscopia no Brasil.

O princípio da imagem com volume tem como referência o próprio olho humano. Cada olho enxerga o horizonte com um ângulo diferente e, no cérebro, é feita uma "média" da imagem, que é vista pelos dois olhos. A estereoscopia combina duas imagens filmadas em ângulos complementares, a exemplo do que o olho humano veria.

Para exibir a imagem, são usados dois projetores, instalados a uma distância equivalente à utilizada na filmagem, o que gera uma imagem aparentemente desfocada sobre a tela. A tela também tem de ter uma coloração especial, aluminizada, para definir melhor a imagem.

Cada uma das duas imagens é codificada, ou seja, recebe um tratamento de cor ou luminância. Os óculos especiais invertem essa imagem, criando o efeito de volume nos contornos. Quando a imagem é trabalhada em cores, utilizam-se os óculos com lentes de cores diferentes, vermelho e azul ou vermelho e verde, processo conhecido como anaglif.

No caso do trabalho realizado pela Macchina 1 para a Miksom, a separação das cores aconteceu por polarização. Os dois projetores foram equipados com lentes polarizadoras que, ao serem rotacionadas, permitem ou não a passagem de luz. Dessa forma, uma das imagens fica mais escura e outra mais clara. Os óculos, também polarizados, invertem essa luminância, criando o mesmo efeito dos óculos coloridos.

"Em princípio, pensamos em fazer o processo todo em computação gráfica, pois o controle é bem mais preciso. Todas as imagens são geradas pelo computador e inclusive criaríamos um modelo do próprio Focus. Entretanto, isso exigiria toda a nossa capacidade de processamento e um tempo muito grande, que não tínhamos no momento. Por isso, precisamos fazer a captação em vídeo, o que é muito mais complicado", explica o diretor de computação gráfica Ivã Righini.

Para a gravação, em primeiro lugar foi preciso criar uma traquitana que posicionasse as câmeras no ângulo correto. Cada câmera simula a visão de um olho - que faz automaticamente a correção de foco e angulação. "O mesmo não acontece com as câmeras. Já existem modelos capazes de simular esses movimentos, sendo programadas para gravar em conjunto. Mas ainda não temos no Brasil", diz Ivã. Em função disso, os movimentos de câmera tornam-se limitados, assim como a abertura e o foco. Tudo é pensado em função do efeito, pois qualquer disparidade maior entre as duas imagens captadas faz com que o volume não apareça.

Tanto os equipamentos de projeção quanto os óculos polarizados foram alugados na BRC Audiovisual. A projeção foi feita a partir de duas masters em DVD. "A maioria dos equipamentos que oferecemos são da marca Barco, que também desenvolve produtos para a aeronáutica e simuladores de treinamento militar. Por isso, a precisão é total", informa Paulo Policastro, diretor comercial da BRC.

Em outro ambiente, o público foi instalado em uma plataforma, que ficava a alguns metros de altura do chão. De repente, começava a projeção, utilizando o próprio piso como tela. A imagem, porém, era uma circunferência de quatro metros de diâmetro. O trabalho de Mirella Cosimato, da produtora de efeitos 2D Cinegráfika, foi o de criar uma máscara preta para o vídeo, tornando-o redondo.

A platéia estava posicionada em torno da tela de forma que nem todos observavam o vídeo do mesmo lado. Por isso, o vídeo que mostrava o desempenho do automóvel tinha de rodar, para que todos vissem o carro na posição correta em algum momento. A filmagem e a edição consideraram essas rotações, para que os movimentos do carro não ficassem comprometidos durante a projeção, chamada de Astrovision.

A terceira instalação simulava um planetário. Foi realizada uma projeção em forma de domo, sobre uma tela abobadada. O sistema, chamado de Starview Planet, é equipado com uma lente hemisférica que permitiu a projeção na cúpula de seis metros de diâmetro. O vídeo, em princípio, mostrava um céu estrelado. As estrelas se tornavam o logotipo do Focus e as constelações se transformavam em detalhes do carro, como se tudo viesse do céu.

O quarto espetáculo se baseava em uma projeção em 360o. Os espectadores se posicionavam no centro de uma sala redonda e o vídeo percorria toda a extensão da esfera. As imagens eram projetadas por seis projetores controlados por computador, de forma que cada parte da tela podia passar imagens diferentes ou contínuas. Mirella Cosimato também foi responsável pela execução das vinhetas de abertura e encerramento do vídeo, o que exigiu que ela trabalhasse com uma tela de 3840 x 480 pixels. "Criamos um efeito superinteressante com apenas uma linha branca sobre um fundo preto, que entrava antes de começar a vinheta. A linha corria toda a tela até chegar ao final, no caso a sexta tela, quando tudo estourava para o branco. Então aparecia o logotipo do Focus e a imagem do carro", explica Mirella.

"Pensei na possibilidade de criar seis telas, mas vi que seria inviável uni-las posteriormente. Por isso, optei por trabalhar em um documento comprido, uma tripa de 15 segundos, que depois foi cortada em seis pedaços que se tornaram a imagem final em 360o", completa.

O projeto da Miksom para a Ford estrapolou os limites do Salão do Automóvel, indo parar em Fortaleza. Lá, a montadora reuniu distribuidores e concessionários da marca para demonstrar o novo carro e novas atividades foram desenvolvidas. Paulo Policastro explica que a empresa forneceu um videowall móvel para por em prática a idéia da Miksom.

Antes da exibição do cantor Leonardo, um balé sobre rodas criou uma vinheta ambulante do Focus. Cada bailarino empurrava um carrinho com rodas "loucas", no qual se apoiava uma tela de plasma. Ao todo eram oito telas, cada uma com 40 polegadas, formando, juntas, uma grande tela de 4 x 2 peças (3,7 metros de largura por dois metros comprimento), que praticamente podia exibir o carro inteiro, em tamanho real. O vídeo era exibido ora nas oito telas juntas, ora em telas separadas, ou ainda imagens diferentes eram transmitidas para cada tela.