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Uma megaprodução
audiovisual foi desenvolvida pela produtora Miksom para o estande
da Ford no Salão do Automóvel, que aconteceu em São
Paulo, e para a apresentação do novo carro Focus, realizada
em Fortaleza (CE) durante o mês de outubro. Entre a concepção
do projeto e sua realização, a equipe da Miksom gastou
mais de três meses pesquisando fornecedores que pudessem concretizar
as idéias dos criativos da casa.
Quatro instalações
mostravam em detalhes as características do novo top de linha
da Ford, com os mais variados tipos de projeção e recursos
tecnológicos em formatos totalmente inusitados.
Um dos ambientes
mostrava uma projeção 3D, daquelas que exigem o uso
de óculos especial que faz os contornos da imagem se destacarem
da tela. Esse projeto foi realizado pela produtora de computação
gráfica Macchina 1, uma das únicas a trabalhar com o
processo de estereoscopia no Brasil.
O princípio
da imagem com volume tem como referência o próprio olho
humano. Cada olho enxerga o horizonte com um ângulo diferente
e, no cérebro, é feita uma "média"
da imagem, que é vista pelos dois olhos. A estereoscopia combina
duas imagens filmadas em ângulos complementares, a exemplo do
que o olho humano veria.
Para exibir a
imagem, são usados dois projetores, instalados a uma distância
equivalente à utilizada na filmagem, o que gera uma imagem
aparentemente desfocada sobre a tela. A tela também tem de
ter uma coloração especial, aluminizada, para definir
melhor a imagem.
Cada uma das
duas imagens é codificada, ou seja, recebe um tratamento de
cor ou luminância. Os óculos especiais invertem essa
imagem, criando o efeito de volume nos contornos. Quando a imagem
é trabalhada em cores, utilizam-se os óculos com lentes
de cores diferentes, vermelho e azul ou vermelho e verde, processo
conhecido como anaglif.
No caso do trabalho
realizado pela Macchina 1 para a Miksom, a separação
das cores aconteceu por polarização. Os dois projetores
foram equipados com lentes polarizadoras que, ao serem rotacionadas,
permitem ou não a passagem de luz. Dessa forma, uma das imagens
fica mais escura e outra mais clara. Os óculos, também
polarizados, invertem essa luminância, criando o mesmo efeito
dos óculos coloridos.
"Em princípio,
pensamos em fazer o processo todo em computação gráfica,
pois o controle é bem mais preciso. Todas as imagens são
geradas pelo computador e inclusive criaríamos um modelo do
próprio Focus. Entretanto, isso exigiria toda a nossa capacidade
de processamento e um tempo muito grande, que não tínhamos
no momento. Por isso, precisamos fazer a captação em
vídeo, o que é muito mais complicado", explica
o diretor de computação gráfica Ivã Righini.
Para a gravação,
em primeiro lugar foi preciso criar uma traquitana que posicionasse
as câmeras no ângulo correto. Cada câmera simula
a visão de um olho - que faz automaticamente a correção
de foco e angulação. "O mesmo não acontece
com as câmeras. Já existem modelos capazes de simular
esses movimentos, sendo programadas para gravar em conjunto. Mas ainda
não temos no Brasil", diz Ivã. Em função
disso, os movimentos de câmera tornam-se limitados, assim como
a abertura e o foco. Tudo é pensado em função
do efeito, pois qualquer disparidade maior entre as duas imagens captadas
faz com que o volume não apareça.
Tanto os equipamentos
de projeção quanto os óculos polarizados foram
alugados na BRC Audiovisual. A projeção foi feita a
partir de duas masters em DVD. "A maioria dos equipamentos que
oferecemos são da marca Barco, que também desenvolve
produtos para a aeronáutica e simuladores de treinamento militar.
Por isso, a precisão é total", informa Paulo Policastro,
diretor comercial da BRC.
Em outro ambiente,
o público foi instalado em uma plataforma, que ficava a alguns
metros de altura do chão. De repente, começava a projeção,
utilizando o próprio piso como tela. A imagem, porém,
era uma circunferência de quatro metros de diâmetro. O
trabalho de Mirella Cosimato, da produtora de efeitos 2D Cinegráfika,
foi o de criar uma máscara preta para o vídeo, tornando-o
redondo.
A platéia
estava posicionada em torno da tela de forma que nem todos observavam
o vídeo do mesmo lado. Por isso, o vídeo que mostrava
o desempenho do automóvel tinha de rodar, para que todos vissem
o carro na posição correta em algum momento. A filmagem
e a edição consideraram essas rotações,
para que os movimentos do carro não ficassem comprometidos
durante a projeção, chamada de Astrovision.
A terceira instalação
simulava um planetário. Foi realizada uma projeção
em forma de domo, sobre uma tela abobadada. O sistema, chamado de
Starview Planet, é equipado com uma lente hemisférica
que permitiu a projeção na cúpula de seis metros
de diâmetro. O vídeo, em princípio, mostrava um
céu estrelado. As estrelas se tornavam o logotipo do Focus
e as constelações se transformavam em detalhes do carro,
como se tudo viesse do céu.
O quarto espetáculo
se baseava em uma projeção em 360o. Os espectadores
se posicionavam no centro de uma sala redonda e o vídeo percorria
toda a extensão da esfera. As imagens eram projetadas por seis
projetores controlados por computador, de forma que cada parte da
tela podia passar imagens diferentes ou contínuas. Mirella
Cosimato também foi responsável pela execução
das vinhetas de abertura e encerramento do vídeo, o que exigiu
que ela trabalhasse com uma tela de 3840 x 480 pixels. "Criamos
um efeito superinteressante com apenas uma linha branca sobre um fundo
preto, que entrava antes de começar a vinheta. A linha corria
toda a tela até chegar ao final, no caso a sexta tela, quando
tudo estourava para o branco. Então aparecia o logotipo do
Focus e a imagem do carro", explica Mirella.
"Pensei
na possibilidade de criar seis telas, mas vi que seria inviável
uni-las posteriormente. Por isso, optei por trabalhar em um documento
comprido, uma tripa de 15 segundos, que depois foi cortada em seis
pedaços que se tornaram a imagem final em 360o", completa.
O projeto da
Miksom para a Ford estrapolou os limites do Salão do Automóvel,
indo parar em Fortaleza. Lá, a montadora reuniu distribuidores
e concessionários da marca para demonstrar o novo carro e novas
atividades foram desenvolvidas. Paulo Policastro explica que a empresa
forneceu um videowall móvel para por em prática a idéia
da Miksom.
Antes da exibição
do cantor Leonardo, um balé sobre rodas criou uma vinheta ambulante
do Focus. Cada bailarino empurrava um carrinho com rodas "loucas",
no qual se apoiava uma tela de plasma. Ao todo eram oito telas, cada
uma com 40 polegadas, formando, juntas, uma grande tela de 4 x 2 peças
(3,7 metros de largura por dois metros comprimento), que praticamente
podia exibir o carro inteiro, em tamanho real. O vídeo era
exibido ora nas oito telas juntas, ora em telas separadas, ou ainda
imagens diferentes eram transmitidas para cada tela.
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