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A criação
da campanha da Bradesco Seguros encontrou em formas multifacetadas
a solução para apresentar os produtos da seguradora
ao consumidor potencial. A intenção da agência
era a de mostrar que, mesmo oferecendo produtos diferentes para os
vários perfis de clientes, todos estavam sob a responsabilidade
da mesma empresa.
A idéia
foi a de mostrar um homem manipulando um cubo mágico, cujas
faces revelam cenas com situações agradáveis,
representando a tranqüilidade oferecida pelo seguro. A execução
do trabalho exigiu da finalizadora Casablanca o uso do plug-in Match
Move para o SoftImage, que permite a composição de layers
de imagens em 3D, possibilitando determinar pontos de tracking em
um objeto e "colar" imagens sobre sua superfície.
"Como todas as imagens se moviam, tanto o cubo quanto as imagens
aplicadas, seria impossível usar a composição
2D", explica Rodolfo Patrocínio, que comandou a equipe
de pós-produção da Casablanca neste trabalho.
A execução
do processo exigiu a criação de um cubo azul cortado
por filetes verdes, que determinavam os pontos de tracking da imagem.
No computador, foi gerado um cubo virtual idêntico e foram inseridos
os dados relativos à filmagem real (os mesmos parâmetros
de câmera e iluminação do estúdio onde
a manipulação do cubo foi filmada). O Match Move mapeia
a imagem filmada, gerando um gráfico do movimento. Isso permite
trabalhar a imagem corrigindo pequenas imperfeições
sem perder a naturalidade da manipulação pela mão
humana e também simula as luzes utilizadas na filmagem real,
o que permite iluminar sob o mesmo ângulo e intensidade as imagens
aplicadas.
O cubo era um
objeto inteiro, subdividido em outros pequenos cubos. De um para outro,
havia chanfros que criavam efeitos de luz e sombra, tudo reproduzido
sobre a imagem aplicada como se ela fosse uma textura sobre um elemento
sólido. Como o software permite a aplicação das
imagens às seis faces do cubo, quando o movimento é
feito e revela uma nova face, a imagem-textura aparece naturalmente.
A composição
exigiu a criação de diversas máscaras, tanto
do cubo quanto dos dedos do manipulador, o que permitiu que os dedos
ficassem sobre a imagem aplicada, que tinha de ficar sobre o cubo
azul, que estava sobre o fundo filmado. "O azul de recorte do
cubo cria um reflexo sobre o dedo, o que esconde os limites",
explica Patrocínio.
Para facilitar
o recorte, ele usou o recurso modular keyer, do Inferno.
"É
um tipo de recorte 3D que isola as tonalidades de azul pela luminância.
Fazemos uma máscara dos tons mais claros ou mais escuros e
conseguimos separar o que queremos." Assim, foi possível
isolar os dedos, aplicando-os sobre a imagem e colando-os novamente
na mão, que continuou por trás. Como os dedos já
tinham sido separados do resto da mão, ficou fácil fazer
a cena final, quando a mão some e, em fusão, aparece
o logotipo do banco sobre a superfície chanfrada.
Mas para que
todo esse processo de pós-produção fosse deflagrado,
foi necessária uma intensa preparação. "Primeiro
filmamos em estúdio, para criar todos os movimentos e descobrir
os tempos da manipulação. O ator tinha de ter movimentos
precisos, para evitar dificuldades técnicas depois.
Só depois
de acertar os movimentos do cubo é que começamos a filmar
as cenas que seriam aplicadas", conta o diretor Luiz Ferré.
As quatro cenas
tiveram um planejamento e uma direção de arte precisos
para evitar ruídos quando sobrepostas ao cubo. "Precisamos
nos preocupar com a composição e o enquadramento da
cena em si, com sua interação com a próxima cena
e também com o cubo", conta o diretor.
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