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Senha
pioneirismo em hdtv
Título Cavaleiros
Cliente Zip.Net
Produto Institucional
Agência F/Nazca S&S
Dir. de Criação Fábio Fernandes e Eduardo Lima
Produtora Zero Filmes
Direção Amon
Fotografia Amon
Direção Arte Billy
Trilha Tesis Audio Solution
Pós-produção Estúdios Mega
Superprodução com experientes cavaleiros ... ... e explosão finalizada em HDTV.
 

A primeira característica deste filme que chama a atenção, tecnicamente, é o fato de ele ser o primeiro a ter sua finalização feita em HDTV. A captação das imagens foi toda em película, em duas câmeras 35 mm e uma Bolex, mas o material foi telecinado no C-Reality dos Estúdios Mega e montado em Inferno. A expressiva diferença entre os formatos, sensível no monitor de HDTV, ainda não pode ser conferida na telinha, mas a matriz resultante do processo deve ser kinescopada para que o comercial possa ser exibido nos cinemas em película.

Apesar de todo o aparato tecnológico envolvido no processo de finalização, o filme em si pouco tem de efeitos especiais eletrônicos. A filmagem já foi uma superprodução, com explosões, cavalos, dublês e tudo o que um filme grandioso precisa ter.

Segundo Eduardo Lima, que assina a criação pela F/Nazca, a idéia do filme é mostrar que a Internet virou uma realidade que não pode ser contestada. Resistências existem e os atores desse novo cenário podem ser mocinhos ou bandidos, mas a realidade está aí e ninguém pode negar.

Para realizar essa idéia, a produtora criou um clima de caos, montando seu set de filmagem em pleno Pátio do Colégio, no coração do centro de São Paulo, e em outras locações no bairro do Brás. Os prédios e postes antigos do centro velho serviram de elementos cenográficos para ambientar o ataque de cavaleiros ao estilo Mad Max, que laçam suas vítimas com fios de monitores antigos. Os cavaleiros representam os bandidos, enquanto o cliente, é claro, é o mocinho.

Como todo trabalho pioneiro, a pré-produção foi bastante planejada, com o acompanhamento constante da equipe de finalização, que auxiliou na escolha dos equipamentos e formatos do filme. A janela utilizada foi Super 35, que dá a melhor proporção para o HDTV, mas o operador da câmera Bolex teve de realizar os enquadramentos por sua própria intuição. Para aproveitar toda a área do negativo, o filme é exibido na TV com tarjas pretas. "Muitos filmes hoje estão colocando as tarjas na telecinagem, produzindo o formato retangular da tela de cinema. Nesse caso, desde a filmagem já pensamos em usar a tarja, pois este é o formato real do filme", explica o produtor de finalização do Mega José Augusto de Blasiis.

O criativo Eduardo Lima conta que a idéia de utilizar HDTV surgiu no meio do processo de produção do filme, em discussão com o diretor Amon. No começo, pensou-se até em usar uma câmera HDTV, mas as limitações ópticas do equipamento deixaram a alta resolução em vídeo para o final. "Por causa de todos os efeitos e das tomadas amplas, precisaríamos de um jogo de lentes que ainda não está disponível para HDTV", explica o diretor e fotógrafo Amon.

O filme mostra o ataque dos cavaleiros e a reação de suas vítimas, uma figuração com maquiagem e figurino que tendem ao ridículo. Conforme os cavaleiros vão passando, as pessoas vão sendo amarradas e penduradas em postes, explosões de fogo acontecem, um hidrante começa a espirrar água e tudo é destruído.

Apesar das dificuldades tradicionais relacionadas a explosões, o grande desafio foi criar uma forma de laçar as pessoas com monitores de computador, de maneira que o fio enrolasse direitinho. Foram construídos mock-ups dos monitores, com peso controlado e tanto o personagem que é laçado como quem lança o monitor são dublês, especializados em efeitos.

Toda a produção exigiu o trabalho de profissionais especializados, de várias áreas. Os cavaleiros fazem parte de um grupo de rodeio, com domínio total dos cavalos. Outro grupo se encarregou dos explosivos, de vários tipos. Em certo momento, um carro explode, soltando fogo, em outro uma carrocinha cheia de melancias vai pelos ares - só que dentro de cada fruta ainda existia um outro explosivo - e ainda uma vitrine se desfaz em mil cacos, com uma explosão provocada pela expansão de ar. Uma das cenas mais perigosas, no entanto, foi a de um personagem sendo arrastado por um cavaleiro, segurando em um monitor. O dublê segura o monitor e é arrastado escadaria abaixo, o que quase causou um acidente.

A figuração escolhida tinha os tipos mais variados, com um motoboy, uma mulher com bobby no cabelo e creme verde no rosto, um casal de hippies, uma gordinha sensual com uma sacola de feira, uma babá, um time de futebol e outros tantos. Mas na versão final do filme, pouco se vê dos personagens. "Preferimos eliminar os closes e deixar os personagens atrás da fumaça. Na filmagem, garantimos imagens para montar uns três filmes diferentes, porque sempre trabalho com essa perspectiva de aproveitar ao máximo as possibilidades de filmar. No final, porém, optamos por uma versão mais séria, sem a caricatura dos personagens", conta Amon.

As locações escolhidas são o cenário ideal para o caos instalado pelos cavaleiros. "Queríamos um local com cara de clássico, mas sem oferecer muitos elementos para que pudesse ser identificado. Pensamos em usar um cenário mais hightech, como os prédios da Av. Berrini, mas depois achamos que o centro se destacaria mais, poderia representar qualquer lugar do mundo, sem uma referência específica de tempo e local."