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A primeira característica
deste filme que chama a atenção, tecnicamente, é
o fato de ele ser o primeiro a ter sua finalização feita
em HDTV. A captação das imagens foi toda em película,
em duas câmeras 35 mm e uma Bolex, mas o material foi telecinado
no C-Reality dos Estúdios Mega e montado em Inferno. A expressiva
diferença entre os formatos, sensível no monitor de
HDTV, ainda não pode ser conferida na telinha, mas a matriz
resultante do processo deve ser kinescopada para que o comercial possa
ser exibido nos cinemas em película.
Apesar de todo
o aparato tecnológico envolvido no processo de finalização,
o filme em si pouco tem de efeitos especiais eletrônicos. A
filmagem já foi uma superprodução, com explosões,
cavalos, dublês e tudo o que um filme grandioso precisa ter.
Segundo Eduardo
Lima, que assina a criação pela F/Nazca, a idéia
do filme é mostrar que a Internet virou uma realidade que não
pode ser contestada. Resistências existem e os atores desse
novo cenário podem ser mocinhos ou bandidos, mas a realidade
está aí e ninguém pode negar.
Para realizar
essa idéia, a produtora criou um clima de caos, montando seu
set de filmagem em pleno Pátio do Colégio, no coração
do centro de São Paulo, e em outras locações
no bairro do Brás. Os prédios e postes antigos do centro
velho serviram de elementos cenográficos para ambientar o ataque
de cavaleiros ao estilo Mad Max, que laçam suas vítimas
com fios de monitores antigos. Os cavaleiros representam os bandidos,
enquanto o cliente, é claro, é o mocinho.
Como todo trabalho
pioneiro, a pré-produção foi bastante planejada,
com o acompanhamento constante da equipe de finalização,
que auxiliou na escolha dos equipamentos e formatos do filme. A janela
utilizada foi Super 35, que dá a melhor proporção
para o HDTV, mas o operador da câmera Bolex teve de realizar
os enquadramentos por sua própria intuição. Para
aproveitar toda a área do negativo, o filme é exibido
na TV com tarjas pretas. "Muitos filmes hoje estão colocando
as tarjas na telecinagem, produzindo o formato retangular da tela
de cinema. Nesse caso, desde a filmagem já pensamos em usar
a tarja, pois este é o formato real do filme", explica
o produtor de finalização do Mega José Augusto
de Blasiis.
O criativo Eduardo
Lima conta que a idéia de utilizar HDTV surgiu no meio do processo
de produção do filme, em discussão com o diretor
Amon. No começo, pensou-se até em usar uma câmera
HDTV, mas as limitações ópticas do equipamento
deixaram a alta resolução em vídeo para o final.
"Por causa de todos os efeitos e das tomadas amplas, precisaríamos
de um jogo de lentes que ainda não está disponível
para HDTV", explica o diretor e fotógrafo Amon.
O filme mostra
o ataque dos cavaleiros e a reação de suas vítimas,
uma figuração com maquiagem e figurino que tendem ao
ridículo. Conforme os cavaleiros vão passando, as pessoas
vão sendo amarradas e penduradas em postes, explosões
de fogo acontecem, um hidrante começa a espirrar água
e tudo é destruído.
Apesar das dificuldades
tradicionais relacionadas a explosões, o grande desafio foi
criar uma forma de laçar as pessoas com monitores de computador,
de maneira que o fio enrolasse direitinho. Foram construídos
mock-ups dos monitores, com peso controlado e tanto o personagem que
é laçado como quem lança o monitor são
dublês, especializados em efeitos.
Toda a produção
exigiu o trabalho de profissionais especializados, de várias
áreas. Os cavaleiros fazem parte de um grupo de rodeio, com
domínio total dos cavalos. Outro grupo se encarregou dos explosivos,
de vários tipos. Em certo momento, um carro explode, soltando
fogo, em outro uma carrocinha cheia de melancias vai pelos ares -
só que dentro de cada fruta ainda existia um outro explosivo
- e ainda uma vitrine se desfaz em mil cacos, com uma explosão
provocada pela expansão de ar. Uma das cenas mais perigosas,
no entanto, foi a de um personagem sendo arrastado por um cavaleiro,
segurando em um monitor. O dublê segura o monitor e é
arrastado escadaria abaixo, o que quase causou um acidente.
A figuração
escolhida tinha os tipos mais variados, com um motoboy, uma mulher
com bobby no cabelo e creme verde no rosto, um casal de hippies, uma
gordinha sensual com uma sacola de feira, uma babá, um time
de futebol e outros tantos. Mas na versão final do filme, pouco
se vê dos personagens. "Preferimos eliminar os closes e
deixar os personagens atrás da fumaça. Na filmagem,
garantimos imagens para montar uns três filmes diferentes, porque
sempre trabalho com essa perspectiva de aproveitar ao máximo
as possibilidades de filmar. No final, porém, optamos por uma
versão mais séria, sem a caricatura dos personagens",
conta Amon.
As locações
escolhidas são o cenário ideal para o caos instalado
pelos cavaleiros. "Queríamos um local com cara de clássico,
mas sem oferecer muitos elementos para que pudesse ser identificado.
Pensamos em usar um cenário mais hightech, como os prédios
da Av. Berrini, mas depois achamos que o centro se destacaria mais,
poderia representar qualquer lugar do mundo, sem uma referência
específica de tempo e local."
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