|
Sebastian, o garoto
propaganda da C&A, deu a volta ao mundo sem sair de São
Paulo. Vários filmes da marca já foram rodados fora
do Brasil, mas desta vez a idéia foi construir cenários
que pudessem dar idéia de que o personagem tinha viajado pelo
mundo, mostrando que a moda agora é internacional. O diretor
de arte Fred Pinto concebeu cinco cenários, representando cinco
cidades do mundo. "A idéia era sugerir o lugar sem usar
cartões postais ou pontos consagrados", explica.
Em outras vezes,
conta o diretor Nando Olival, pequenas equipes viajavam e as cenas,
muitas vezes filmadas na rua, eram quase documentais. "É
difícil conseguirmos bancar a montagem de um cenário
como esse. Foi uma maneira diferente de trabalhar, pois conseguimos
o controle total, o que nem sempre é possível em filmes
de moda", explica.
No início,
cada um dos cenários seria apenas uma tapadeira, com alguns
elementos cenográficos, mas sem profundidade. Na construção,
os cenários cresceram um pouco, mas se mantiveram praticamente
em duas dimensões. Os elementos principais estão nas
fachadas dos lugares e dentro só há um painel pintado.
O cenário
maior é o de Tóquio, que tem mais elementos e por onde
passa mais gente. Os demais foram feitos de dois em dois, ou seja,
o metrô londrino está na mesma estrutura de uma loja
em Amsterdã e o posto de gasolina dos Estados Unidos é
o inverso do café parisiense. A construção foi
feita em dois lados da mesma estrutura para permitir os movimentos
de câmera, que passeiam de um ponto a outro.
Para facilitar
a montagem de luz, o cenário foi concebido em parceria com
a direção de fotografia, de modo a incorporar pontos
de luz. "São usadas sancas, luminosos, back lights e outros
recursos que simplificam a montagem da luz", conta Nando Olival.
Fred Pinto acredita
que o principal desafio do filme foi criar ambientes facilmente identificáveis
em duas dimensões que não corressem o risco de parecerem
falsos. "A identificação toda vem da tipologia
e da sinalização -placas, luminosos são fundamentais."
Essa linguagem visual foi enfatizada na pós-produção,
que contou com o design de Marcelo Presoto.
Conforme Sebastian
vai mudando de um ambiente a outro, a trilha, gravada por rappers
profissionais, vai fazendo um jogo de palavras começadas com
C e A. Ao mesmo tempo, as imagens filmadas são complementadas
com efeitos e grafismos que reforçam o conceito.
"Tínhamos
de mostrar a moda no mundo e toda essa velocidade. Por isso, usamos
lentes que aumentam certos detalhes, como se alguém olhando
de fora tentasse focalizar essa moda. Para compor essas imagens, usamos
carimbos de passaportes, fotos de estradas, fotos digitais do próprio
cenário tiradas a partir do videoassist, imagens de mapas,
texturas e cores da mesma gama do cenário", esclarece
Marcelo Presoto.
Toda essa estrutura
foi resumida em um filme de um minuto, com versões de 30 segundos.
Mas para o diretor Nando Olival, é uma pena ter de dispor de
um cenário tão grandioso. Na montagem, as cenas passam
muito rápido e vários detalhes passam desapercebidos.
Por isso, quando
a equipe começou a rodar o novo filme da marca, na semana do
dia 20 de abril, já levou para o set um roteiro de curta-metragem.
O mesmo aconteceu
com o filme "E no meio passa um trem", grande premiado dos
festivais da safra de 1999: foi filmado em um cenário de C&A
que caracterizava o interior de um trem.
O novo filme,
feito para o Dia das Mães, segue o mesmo princípio de
usar um cenário por onde a câmera possa se movimentar.
No caso, é uma rua com sete pontos diferentes de onde entram
e saem pessoas que a câmera acompanha em ritmo vertiginoso.
O resultado disso, seja na telinha como na telona, ainda era uma surpresa.
|