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muitos anos depois
Cliente: Banco Real
Agência: Lew Lara
Criação: Jaques Lewkovicz, Aaron Sutton, Marcelo Reis, Braulio Kuwabara
Produto: Institucional
Produtora: JX Filmes
Direção: Julio Xavier
Fotografia: Walter Carvalho
Trilha: YB
Montagem: João Araujo
Finalização: Zezinho Correia
Criança preocupada com o futuro. Alegria e despreocupação ... ... na terceira idade.
 
Dois filmes foram produzidos em paralelo para uma campanha institucional do Banco Real voltada para a área de seguros e previdência privada. Os dois são idênticos, mas varia o casting. Em um, são crianças. Em outro, velhinhos. A idéia de contrapor personagens de idades distintas em situações semelhantes foi do próprio cliente. Apesar de as cenas seguirem o mesmo roteiro e tratarem de temáticas dentro da mesma área, havia um enfoque diferente em cada um deles.

O filme das crianças realmente ressaltava a questão do futuro e a necessidade de um plano de previdência. No caso dos velhinhos, o banco ainda acrescentava um outro elemento, que é seu programa de atividades voltadas à terceira idade. O tema está embutido no filme e é melhor explicado nas campanhas de mídia impressa.

Segundo o diretor Julio Xavier, a idéia inicial era a de colocar crianças em uma postura mais conservadora e velhinhos fazendo molecagens. Com a sugestão do cliente, agência e produtora passaram a criar situações mais soltas, mais inusitadas para os velhinhos do que para as crianças. De qualquer forma, algumas cenas conseguiram incorporar uma certa graça pelo ineditismo em ambas as versões, como é o caso do cooper, quando a garota e, no outro filme, uma senhora passam correndo, paramentadas para a ginástica. Em outro momento, há um romance ao pôr-do-sol que também é simpático em ambos os filmes.

Para produzir as estrepolias dos velhinhos, porém, a produtora teve um pouco mais de trabalho. Começou procurando o casting em locais menos convencionais do que agências especializadas. A produção foi a clubes da terceira idade, bailes e clubes esportivos procurar quem fizesse esportes radicais ou tivesse uma cara diferente do público.

Em alguns casos, teve de trabalhar com dublês - foi o caso da cena do skate. Nenhum dos candidatos a ator tinha essa característica e por isso foi necessário usar o velho truque cinematográfico do corte da perna para a parte superior do corpo. Em outro caso, o dublê tornou-se ator depois. É o caso do bicampeão mundial master de salto ornamental, Fernando Telles, contratado para ser dublê do salto de trampolim de outro senhor. Com sua simpatia, conquistou o diretor e ganhou o papel.

As filmagens foram feitas ao mesmo tempo com crianças e velhinhos - forma ainda mais fácil de trabalhar com as crianças, que já assistiam as filmagens no video assist e sabiam exatamente o que fazer. Na hora de escolher as crianças, o critério de utilizar carinhas pouco conhecidas e com habilidades esportivas também foi usado.

Ao todo, cerca de 150 pessoas foram envolvidas, entre crianças e velhinhos, principais e figurantes. Por isso, a parte mais trabalhosa do filme foi a preparação e produção. Toda a logística foi afinada com antecedência, para garantir o transporte seguro para todos, dentro das três diárias de filmagens, em vários locais de São Paulo e também no Guarujá. "É importante calcular tudo milimetricamente, pois não podíamos deixar transparecer nossa apreensão diante de todo o elenco. Pensamos em uma luz para cada cena e tínhamos, às vezes, apenas 15 minutos", conta Julio Xavier.

A trilha sonora foi composta em cima de uma música dos Beatles, cuja temática é justamente o futuro e a maneira como a pessoa será tratada quando for velha (When I’m sixty four). Julio Xavier explica que, inicialmente, além da música, seria usada uma locução explicando os produtos. Mas isso prejudicaria a compreensão da letra da música. Em entendimento com agência e cliente, decidiu-se transformar o texto em um letreiro rotativo no final do filme, em preto e branco, evitando-se a poluição sonora e chamando ainda mais atenção sobre as informações. "Foi muito bom que o cliente tivesse aceitado essa nossa sugestão, pois conseguimos com isso um filme mais clean, cuja mensagem foi melhor compreendida", explica o diretor.

Na pós-produção, além dos letterings, poucos recursos foram utilizados. Como já é de praxe, alguns retoques foram feitos nas tonalidades e nas luzes, no telecine e na edição.