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sem sair do lugar
Cliente: Faculdades Oswaldo Cruz
Agência: SN Publicidade - Sales & Negotiation
Criação: Claudio Gonçalves, Marcelo Aiex e Ricardo Isotton
Produto: Pós-graduação
Produtora: Beta Filmes
Direção: Paula Galacini
Fotografia: Bobby Cohen
Sound Design: Tony Berchmans (Lua Nova)
Telecine e finalização: Casablanca
A imobilidade
do poste é usada ...
... para promover
cursos de pós-graduação.
Um poste antigo, sobre um fundo de prédios modernos, no centro de São Paulo. Com apenas esses elementos, a agência SN Publicidade - Sales & Negotiation desenvolveu uma peça bem-humorada para divulgar os cursos de pós-graduação das Faculdades Oswaldo Cruz.

O filme mostra um poste em primeiro plano, obviamente parado, enquanto o fundo vai se transformando rapidamente, com gente passando apressada de um lado para o outro. Letterings explicam que para não ficar parado como poste, é preciso fazer a dita pós-graduação. A trilha sonora se resume a efeitos e ruídos. Não há locução, nem trilha. A graça entra no final, com um cachorrinho que chega e, sutilmente, faz xixi no poste.

Além da criatividade da idéia, a produção também teve de ser criativa para filmar o material. A diretora Paula Galacini conta que a maneira mais fácil de realizar o filme era usando um time lapsing, que dispara a câmera automaticamente, liberando dois frames a cada cinco segundos. Como o equipamento adequado teria de ser trazido de fora, a equipe optou por realizar o processo "na mão", controlando diretamente a câmera.

A captação foi feita em 16 mm, com lente grande angular de 8.5 mm. No tripé, a câmera ficou isolada para evitar que perdesse o registro. Ao lado dela, só o fotógrafo Bobby Cohen, que disparava manualmente a câmera de acordo com um planejamento de mudanças de luz e também quando alguma cena particularmente interessante acontecia. Pela manhã, explica Paula, as mudanças de luz são mais freqüentes, então houve mais disparos. Do meio-dia às três da tarde, os disparos eram feitos a cada 40 minutos, pois havia menos variações. "Nossos olhos começam a se acostumar com as mudanças e então passamos a quase não percebê-las. Por isso, íamos monitorando as sombras", acrescenta a diretora. No final, as imagens consumiram uma lata e meia de negativos.

As filmagens começaram às 04h30 e se estenderam até as 21h30. A equipe se instalou no Vale do Anhangabaú, perto da Praça do Correio, no centro de São Paulo. Por ser um domingo, véspera de feriado, o local, normalmente tomado de camelôs e cheio de gente, estava mais vazio. Segundo Paula, talvez até fosse interessante filmar a agitação do local em um dia de semana, mas por questões de segurança, optou-se por trabalhar no domingo. "Teríamos dificuldade em afastar os camelôs e talvez não conseguíssemos autorização para subir com os carros na praça", afirma. Mesmo no domingo, foi preciso trabalhar com seguranças armados, para proteger equipamentos e equipe de possíveis achaques que poderiam ocorrer na locação previamente escolhida para o filme.

Devido às alterações naturais de luz, o fotógrafo optou pelo uso de um negativo bastante sensível, de 200 ASA. De madrugada, foi preciso usar refletores para dar brilho e volume ao poste, além de permitir o próprio enquadramento, já que a imagem não era vista no viewfinder da câmera.

A diretora conta que, mais do que a filmagem em si, a experiência de passar um dia todo no centro de São Paulo foi bastante interessante. A cada momento da noite ou do dia, uma série de tipos estranhos desfilava pelo local. Ao lado do lugar onde a equipe se instalou, um bar, aberto 24 horas, tocava pérolas da música popular brasileira em uma jukebox. Enquanto prostitutas voltavam dos programas, senhoras evangélicas se dirigiam ao culto.

Todas as pessoas que passam atrás do poste, portanto, eram realmente transeuntes, de todos os tipos. O único "ator" contratado foi o cachorrinho, que fecha o filme. Por pouco, porém, ele não acaba ficando de fora, já que um outro cachorro, totalmente amador, fez o mesmo movimento e o mesmo ato em frente às câmeras, sem nenhum ensaio nem stress.
O diretor de criação Claudio Gonçalves conta que, no roteiro original do filme, o cachorrinho fazia seu xixi e, depois, a assinatura entrava em fundo preto. A ruptura, porém, foi descartada e a opção recaiu sobre o uso das imagens filmadas no fundo da assinatura do comercial.

Uma opção inovadora também foi feita em relação ao som. Assim que ouviu as histórias da diretora sobre as filmagens no centro, o compositor Tony Berchmans pensou em usar uma trilha diferente no filme. A sucessão de acontecimentos ao longo do dia, com peculiaridades por horário, fez com que Berchmans pensasse em "dar uma mãozinha" para a narrativa, acrescentando informação ao som. "Poderíamos simplesmente fazer uma musiquinha engraçada, que risse quando o cachorrinho fizesse xixi, mas preferimos ampliar a noção de tempo passando", explica. Mais de 60 efeitos foram usados ao longo dos ruídos, desde o tradicional vendedor de pamonhas até uns peculiares grilos ao amanhecer.