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Senha
humor na política
  Cliente: Jornal da Tarde
Agência: Talent Biz
Produtora: Trattoria di Frame
Direção: Guto Carvalho
Fotografia: Abraham Metri
Direção de Arte: Oliver Zion Fucks
Montagem: equipe Trattoria
Animação: Fernando Coster e Paolo
Trilha: MCR
Finalização: Trattoria
 
Um dos filmes mais bem humorados deste início de ano, a campanha da Talent para a promoção de CDs de pagode e axé distribuídos no Jornal da Tarde teve um processo de execução relativamente simples, mas bem trabalhoso. A idéia desenvolvida pela dupla Luiz Evandro Menezes e Floriano "Carneiro" Cechetini propôs o uso de elementos relacionados ao próprio jornal para divulgar a promoção. "A criação foi orientada no sentido de falar da promoção e ainda estabelecer um resíduo para venda de jornal mesmo depois de encerrada a promoção", explica o diretor de criação Tião Bernardi.

Originalmente, a idéia era a de animar as fotos das capas dos jornais, mas não estava definido o processo de trabalho. Com pouco tempo para trabalhar, o diretor Guto Carvalho sugeriu fazer um "pop-up" das fotos, animando a imagem saída da própria foto. "A despretensão foi a grande sacada do filme. Usamos um cenário despojado, que é uma característica da nossa agência, e isso tornou o filme mais engraçado", explica Bernardi. Carvalho explica que sua proposta de técnica era, justamente, a de tirar o efeito em si do foco, transferindo a atenção para o conceito do filme.

O primeiro passo da produção foi a criação da trilha, pela MCR, com uma fusão das músicas dos próprios CDs e uma introdução. Ao mesmo tempo, a equipe de produção fazia a pesquisa das imagens no próprio arquivo do jornal. Pronta a trilha e a pesquisa, que reuniu cerca de 400 fotos, a equipe selecionou as imagens definitivas. As fotos foram escaneadas e tratadas, a fim de serem adaptadas para o projeto. Alguns políticos tinham microfones na frente, que foram apagados. O presidente Fernando Henrique, por exemplo, recebeu novos bracinhos, para sambar melhor.

A própria gráfica do jornal imprimiu mock ups com as fotos tratadas e daí saíram os bonecos animados. A técnica utilizada foi a de stop motion. Por trás das fotos, foram colados moldes em folhas de alumínio, material que costuma ser usado em animação, mas não com essa finalidade. A animação quadro a quadro era feita com o recorte da foto pedacinho por pedacinho, com um estilete. Para algumas personalidades, foram selecionados vários braços e cabeças, para permitir que se entreolhassem, como acontece entre os presidentes Bill Clinton e Fernando Henrique.

Durante a filmagem, o diretor utilizou um videoassist ligado ao Abekas DI, que permite a visualização dos frames filmados anteriormente. Assim, conforme o animador ia recortando e animando as fotos, as imagens eram filmadas e assistidas; quando necessário, foram refeitas imediatamente, para evitar o desperdício de mock ups.

Toda a animação foi feita a partir da trilha, decupada para orientar os animadores. As personalidades, entre elas o príncipe Charles que dança com o presidente argentino Carlos Menem, e o ex-prefeito Paulo Maluf, que toca ganzá com o atual Celso Pitta, ganharam instrumentos musicais criados pela equipe de produção e dançaram e tocaram segundo o ritmo da música. Para evitar possíveis descontentamentos, a criação utilizou políticos de várias tendências e todos em situações semelhantes. No cenário, apenas pilhas de jornais, como se os personagens ganhassem vida no próprio depósito, antes da distribuição.