| A campanha dos títulos de capitalização
Ourocap se utiliza de três tipos diferentes de animais,
em três filmes, para se diferenciar dos demais planos do
mercado. Em geral, explica Márcia Grenci, da Denison,
esse tipo de produto mostrava pessoas comemorando o fato
de terem sido contempladas. Nesse caso, são animais que
vêem sua vida totalmente mudada pelo plano em questão. Três personagens
compõem a campanha. Em um filme, um macaco dirige seu
carrinho de brinquedo por uma estrada, enquanto o locutor
explica que quem poupa tem. Ao entrar em um túnel, a
terra treme, relâmpagos o atingem e, na saída, o macaco
está de carro novo, um superconversível, e com uma
macaca a tiracolo. Para filmar a peça, o diretor
utilizou uma estrada secundária da Rodovia Carvalho
Pinto, no Vale do Paraíba (SP). Lá, cenografou um
viaduto com a abertura do túnel e rodou os planos com os
macacos.Tudo pareceria simples se não fossem os achaques
da atriz principal. Apegada à sua treinadora e
desacostumada com o companheiro, a macaca não colaborou
e fez escândalos, livrando-se várias vezes da roupa. O
companheiro, apesar de dócil e calmo, assustou-se com a
parceira, e cansou-se antes do fim do trabalho.
Os macacos
eram acompanhados constantemente por seus treinadores,
que estavam, inclusive, dentro do automóvel. Aliás,
quem dirige o conversível na saída do túnel é o
próprio treinador do macho, que o está amparando por
trás. A melhor saída, explica o diretor Saulo Silveira,
teria sido filmar em estúdio, onde os animais ficariam
mais calmos. Mas os custos bloquearam a idéia, que
exigiria um espaço bastante amplo para que o carro
circulasse, sem contar o reforço extra do piso.
A rodovia
foi cenografada com pedras e teve seu asfalto pintado,
mas todos os detalhes do cenário foram retocados na
Vetor Zero. Segundo Osmar Muradas, diretor de arte dos
três filmes, em função da diferença de linguagem
entre os dois filmes ao vivo (Macacos e Cachorro) e outro
em computação gráfica (Formigas), optou-se por um
clima irreal, com cores fortes e improváveis. Os céus,
por exemplo, têm cores como verde, ocre e lilás, e as
referências são de desenho animado. Graças a essa
escolha, os três filmes adquiriram unidade.
No caso do
cachorrinho, um simpático exemplar da raça vira-lata, a
colaboração do ator foi total. O animal sai de sua
casinha simples e enterra um osso no mesmo lugar onde
outros já estão enterrados. Quando acontece a
transformação, o chão se abre e muitos ossos brotam do
local. Além disso, a casinha se transforma em uma
pequena mansão, com piscina em forma de osso. A cena
exigiu um mecanismo hidráulico, com duas placas
justapostas que se encaixavam no formato das rachaduras
da terra. Conforme o pistão empurrava as placas para
cima e para o lado, a rachadura ficava visível. Por cima
da estrutura, terra e grama cobriam o mecanismo.
Esse filme
pôde ser feito em estúdio, onde foi montada a mansão.
Toda iluminada, com jardim e piscina, a nova casa foi
decorada com tal preciosismo que tem até tapete e
porta-retratos (que não se vêem). Como o cenário não
tinha fundo, isto é, era pintado de azul para recorte,
toda vez que o cachorro passava em frente a ele, era
preciso recortar o pêlo, um dos trabalhos mais
complicados para a computação gráfica. O fundo rural e
o céu foram aplicados na pós-produção.O terceiro
filme da série mostra três formigas saindo de seu
formigueiro. A terra treme e do chão começa a sair um
castelo de areia. O know-how da Vetor Zero em construir
formigas foi aproveitado, mas Muradas fez algumas
alterações estéticas para diferenciá-las das formigas
da campanha da Philco. Com uma cabeça mais realista, a
graça está na parte traseira dos insetos, que estão
mais para saúvas do que para formiguinhas de
açúcar.Neste caso, o desafio para a computação
gráfica foi a textura de areia. Por mais real que a
fachada do castelo possa parecer, os movimentos de
câmera criam rastros sobre o cenário e não se tem o
efeito de partículas em suspensão. "Esses ajustes
vão ficando mais precisos quanto mais tempo temos para
trabalhar", avalia Muradas.
A opção
pela computação gráfica total, porém, foi a mais
viável para a execução da idéia. "Inicialmente,
as formigas seriam modeladas e aplicadas sobre um fundo
real. Mas, nesse caso, nossas limitações em termos de
movimentos de câmera seriam muito maiores",
acredita o diretor.
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