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animais de sorte
  Cliente: Brasilcap
Produto: Ourocap
Agência: Denison
Equipe de Criação: Márcia Grenci, Márcio Cúria, Fernando M. Machado e André Fiorini
Produtora: Zohar Filmes (Macacos e Cachorro) e Vetor Zero (Formigas)
Direção: Saulo Silveira (Macacos e Cachorro) e Osmar Muradas (Formigas)
Fotografia: Adrian Teijido
Trilha: Avant Garde
Telecine: Abertura
Pós-produção: Vetor Zero
 
A campanha dos títulos de capitalização Ourocap se utiliza de três tipos diferentes de animais, em três filmes, para se diferenciar dos demais planos do mercado. Em geral, explica Márcia Grenci, da Denison, esse tipo de produto mostrava pessoas comemorando o fato de terem sido contempladas. Nesse caso, são animais que vêem sua vida totalmente mudada pelo plano em questão.

Três personagens compõem a campanha. Em um filme, um macaco dirige seu carrinho de brinquedo por uma estrada, enquanto o locutor explica que quem poupa tem. Ao entrar em um túnel, a terra treme, relâmpagos o atingem e, na saída, o macaco está de carro novo, um superconversível, e com uma macaca a tiracolo. Para filmar a peça, o diretor utilizou uma estrada secundária da Rodovia Carvalho Pinto, no Vale do Paraíba (SP). Lá, cenografou um viaduto com a abertura do túnel e rodou os planos com os macacos.Tudo pareceria simples se não fossem os achaques da atriz principal. Apegada à sua treinadora e desacostumada com o companheiro, a macaca não colaborou e fez escândalos, livrando-se várias vezes da roupa. O companheiro, apesar de dócil e calmo, assustou-se com a parceira, e cansou-se antes do fim do trabalho.

Os macacos eram acompanhados constantemente por seus treinadores, que estavam, inclusive, dentro do automóvel. Aliás, quem dirige o conversível na saída do túnel é o próprio treinador do macho, que o está amparando por trás. A melhor saída, explica o diretor Saulo Silveira, teria sido filmar em estúdio, onde os animais ficariam mais calmos. Mas os custos bloquearam a idéia, que exigiria um espaço bastante amplo para que o carro circulasse, sem contar o reforço extra do piso.

A rodovia foi cenografada com pedras e teve seu asfalto pintado, mas todos os detalhes do cenário foram retocados na Vetor Zero. Segundo Osmar Muradas, diretor de arte dos três filmes, em função da diferença de linguagem entre os dois filmes ao vivo (Macacos e Cachorro) e outro em computação gráfica (Formigas), optou-se por um clima irreal, com cores fortes e improváveis. Os céus, por exemplo, têm cores como verde, ocre e lilás, e as referências são de desenho animado. Graças a essa escolha, os três filmes adquiriram unidade.

No caso do cachorrinho, um simpático exemplar da raça vira-lata, a colaboração do ator foi total. O animal sai de sua casinha simples e enterra um osso no mesmo lugar onde outros já estão enterrados. Quando acontece a transformação, o chão se abre e muitos ossos brotam do local. Além disso, a casinha se transforma em uma pequena mansão, com piscina em forma de osso. A cena exigiu um mecanismo hidráulico, com duas placas justapostas que se encaixavam no formato das rachaduras da terra. Conforme o pistão empurrava as placas para cima e para o lado, a rachadura ficava visível. Por cima da estrutura, terra e grama cobriam o mecanismo.

Esse filme pôde ser feito em estúdio, onde foi montada a mansão. Toda iluminada, com jardim e piscina, a nova casa foi decorada com tal preciosismo que tem até tapete e porta-retratos (que não se vêem). Como o cenário não tinha fundo, isto é, era pintado de azul para recorte, toda vez que o cachorro passava em frente a ele, era preciso recortar o pêlo, um dos trabalhos mais complicados para a computação gráfica. O fundo rural e o céu foram aplicados na pós-produção.O terceiro filme da série mostra três formigas saindo de seu formigueiro. A terra treme e do chão começa a sair um castelo de areia. O know-how da Vetor Zero em construir formigas foi aproveitado, mas Muradas fez algumas alterações estéticas para diferenciá-las das formigas da campanha da Philco. Com uma cabeça mais realista, a graça está na parte traseira dos insetos, que estão mais para saúvas do que para formiguinhas de açúcar.Neste caso, o desafio para a computação gráfica foi a textura de areia. Por mais real que a fachada do castelo possa parecer, os movimentos de câmera criam rastros sobre o cenário e não se tem o efeito de partículas em suspensão. "Esses ajustes vão ficando mais precisos quanto mais tempo temos para trabalhar", avalia Muradas.

A opção pela computação gráfica total, porém, foi a mais viável para a execução da idéia. "Inicialmente, as formigas seriam modeladas e aplicadas sobre um fundo real. Mas, nesse caso, nossas limitações em termos de movimentos de câmera seriam muito maiores", acredita o diretor.