| A proposta
da fabricante de adubos Manah para essa campanha de
quatro filmes era reforçar o slogan da empresa, que já
se tornou um patrimônio: "Com Manah, adubando
dá". Fora do ar há 20 anos, a empresa decidiu
voltar institucionalmente e, por isso, a agência
procurou trabalhar com elementos simples, centrados
unicamente no slogan, e que modernizassem a marca. Entre
várias propostas, a escolhida foi a de manipulação de
bonecos combinada à computação gráfica. Segundo Dênis Moses, que criou o
filme em parceria com Marcos Ferraz, a idéia do filme é
praticamente criar um depoimento, um testemunhal do
próprio slogan. Ou seja, mostrar os vegetais -
diretamente afetados pelo adubo - confirmando a mensagem.
Em cada um dos filmes de 15 segundos, os personagens
(hortaliças, legumes e frutos) cantam o slogan em um
ritmo diferente.
Com experiência na
técnica de bonecos, o diretor Luiz Ferré a princípio
desenhou as feições dos personagens, adequando-os aos
ritmos. Várias idéias foram levantadas, até chegar aos
ritmos de reggae, interpretado por uma cenoura cabeluda,
soul (com uma berinjela cega que mistura Ray Charles e
Stevie Wonder), uma dupla sertaneja de milhos e uma
solitária soja, que canta bossa nova.
Para Ferré, a
possibilidade de trabalhar os cenários em computação
gráfica foi muito importante para definir a técnica de
manipulação dos bonecos. "Usamos uma técnica
japonesa, na qual o manipulador se veste de azul e
aparece em quadro, permitindo o recorte e aplicação do
fundo em bluescreen", explica o diretor. Ele conta
que o trabalho fica bem mais fácil desta forma:
"Sem se preocupar com os cenários, os manipuladores
têm amplitude de movimentos. Em alguns casos, como o da
soja, que tinha várias pessoas trabalhando em cada
parte, essa facilidade permite movimentos mais delicados
e sofisticados".
A construção dos
bonecos, que começa no desenho, passa ainda pelas etapas
de molde em argila, forma em gesso e versão final em
látex, pintado e adereçado. Com a perspectiva da
computação gráfica, menos bonecos foram feitos, assim
como muito menos energia foi despendida em manipulação.
No filme do soul, por exemplo, dezenas de tomates e
laranjas aparecem em quadro. De um boneco inicial, foram
alteradas as expressões e posições, para a
composição dos elementos em computação gráfica.
Terminadas as filmagens,
as imagens começaram a ser tratadas pela Terracota. Os
recortes foram feitos em Ultimatte. Um dos momentos mais
interessantes foi a composição do cenário e das
figuras do filme de soul. Para ter maior autonomia na
aplicação dos elementos, Laís Dias, da Terracota,
preferiu escanear as tábuas das caixas de frutas,
trabalhando com pedaços soltos de madeira. Na filmagem,
cada fruta foi filmada para ser posicionada no cenário.
Depois de montadas na posição correta, foram aplicadas
as tábuas da caixa.
É incrível a quantidade
de camadas e máscaras necessárias na substituição do
fundo. Cada elemento é trabalhado em diversas
sobreposições, com a aplicação dos elementos soltos
que correspondem aos personagens e aos detalhes do
cenário, além de cada sombra do objeto sobre o
cenário, sobre si mesmo e sobre outros elementos. Sem
contar os detalhes acrescentados de bancos de imagem e
referências iconográficas, como plantas na janela,
céu, pôr-do-sol etc. Para cada tipo de efeito, foram
combinadas as técnicas e os softwares, como Composer, do
Allias Wavefront, Flint e outros.
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