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Senha
frutas, legumes e verduras
  Cliente: Manah
Agência: SA&A
Produtora: Zero Filmes
Direção: Luiz Ferré
Fotografia: Adrian Teijido
Dir. Manipulação: Roberto Dornelles
Computação Gráfica: Terracota
Finalização: Zé Augusto de Blasiis
Trilha: Dino di Vicente
Trilha: Abertura
 
A proposta da fabricante de adubos Manah para essa campanha de quatro filmes era reforçar o slogan da empresa, que já se tornou um patrimônio: "Com Manah, adubando dá". Fora do ar há 20 anos, a empresa decidiu voltar institucionalmente e, por isso, a agência procurou trabalhar com elementos simples, centrados unicamente no slogan, e que modernizassem a marca. Entre várias propostas, a escolhida foi a de manipulação de bonecos combinada à computação gráfica.

Segundo Dênis Moses, que criou o filme em parceria com Marcos Ferraz, a idéia do filme é praticamente criar um depoimento, um testemunhal do próprio slogan. Ou seja, mostrar os vegetais - diretamente afetados pelo adubo - confirmando a mensagem. Em cada um dos filmes de 15 segundos, os personagens (hortaliças, legumes e frutos) cantam o slogan em um ritmo diferente.

Com experiência na técnica de bonecos, o diretor Luiz Ferré a princípio desenhou as feições dos personagens, adequando-os aos ritmos. Várias idéias foram levantadas, até chegar aos ritmos de reggae, interpretado por uma cenoura cabeluda, soul (com uma berinjela cega que mistura Ray Charles e Stevie Wonder), uma dupla sertaneja de milhos e uma solitária soja, que canta bossa nova.

Para Ferré, a possibilidade de trabalhar os cenários em computação gráfica foi muito importante para definir a técnica de manipulação dos bonecos. "Usamos uma técnica japonesa, na qual o manipulador se veste de azul e aparece em quadro, permitindo o recorte e aplicação do fundo em bluescreen", explica o diretor. Ele conta que o trabalho fica bem mais fácil desta forma: "Sem se preocupar com os cenários, os manipuladores têm amplitude de movimentos. Em alguns casos, como o da soja, que tinha várias pessoas trabalhando em cada parte, essa facilidade permite movimentos mais delicados e sofisticados".

A construção dos bonecos, que começa no desenho, passa ainda pelas etapas de molde em argila, forma em gesso e versão final em látex, pintado e adereçado. Com a perspectiva da computação gráfica, menos bonecos foram feitos, assim como muito menos energia foi despendida em manipulação. No filme do soul, por exemplo, dezenas de tomates e laranjas aparecem em quadro. De um boneco inicial, foram alteradas as expressões e posições, para a composição dos elementos em computação gráfica.

Terminadas as filmagens, as imagens começaram a ser tratadas pela Terracota. Os recortes foram feitos em Ultimatte. Um dos momentos mais interessantes foi a composição do cenário e das figuras do filme de soul. Para ter maior autonomia na aplicação dos elementos, Laís Dias, da Terracota, preferiu escanear as tábuas das caixas de frutas, trabalhando com pedaços soltos de madeira. Na filmagem, cada fruta foi filmada para ser posicionada no cenário. Depois de montadas na posição correta, foram aplicadas as tábuas da caixa.

É incrível a quantidade de camadas e máscaras necessárias na substituição do fundo. Cada elemento é trabalhado em diversas sobreposições, com a aplicação dos elementos soltos que correspondem aos personagens e aos detalhes do cenário, além de cada sombra do objeto sobre o cenário, sobre si mesmo e sobre outros elementos. Sem contar os detalhes acrescentados de bancos de imagem e referências iconográficas, como plantas na janela, céu, pôr-do-sol etc. Para cada tipo de efeito, foram combinadas as técnicas e os softwares, como Composer, do Allias Wavefront, Flint e outros.