| Há 21 anos,
o diretor Carlos Manga, o fotógrafo Jorge Solari e o
diretor de criação Agnelo Pacheco se encontraram para
realizar um filme de pneus, no qual o produto era
mostrado em diversos tipos de clima, em várias partes do
Brasil. Este ano, os três se encontraram para um projeto
semelhante, com locações em seis cidades diferentes, e
dificuldades técnicas ainda maiores. Com a ajuda da
computação gráfica, a parceria voltou a funcionar. O filme de Caixa Econômica Federal
previa a filmagem do grupo Olodum em Salvador, Brasília,
Ouro Preto, Canela, São Paulo e Rio de Janeiro. Os
principais problemas eram econômicos e logísticos, em
função das despesas de hospedagem e transporte da
equipe e do grupo, com 30 integrantes. "Já pensou
levar 30 pessoas para maquiar, vestir, acordar na hora,
em tantos locais diferentes?", indaga Solari.
O jeito foi filmar o grupo
em estúdio, em São Paulo, em chroma-key, e aplicá-lo
nos fundos que foram filmados nas diversas locações. A
equipe de pré-produção viajou na frente, levantando os
locais possíveis em vídeo. Depois, os diretores se
reuniram e conceberam a decupagem do filme, com os
posicionamentos do grupo, luz e movimentação. Nada,
porém, pôde ser muito fixo, já que o levantamento
inicial não dava uma idéia definitiva das locações e
dos problemas que pudessem aparecer com recortes e
superposição de imagens.
Segundo o diretor de
criação, Agnelo Pacheco, um dos resultados mais
interessantes do uso da computação gráfica foi a
solução de um problema óptico insolúvel nas filmagens
ao vivo: a manutenção do foco nos diversos planos
dentro da mesma imagem. Além disso, Pacheco estima uma
economia de 60% nos custos de produção com a
computação gráfica, em relação à produção das
viagens e da filmagem ao vivo.
As filmagens começaram
pelas locações e então é que se percebeu como seria
realmente inviável carregar o grupo pelo Brasil afora.
Em São Paulo, as imagens foram feitas de cima do
edifício da Caixa, na Avenida Paulista. A câmera teve
de ser instalada numa quina do prédio e o vento
certamente teria inviabilizado a permanência do grupo no
heliponto. Em Ouro Preto, uma idéia inicial de aplicar o
grupo baiano sob a estátua de Tiradentes, que está na
praça central da cidade, foi descartada porque seu
pedestal simplesmente impediria a visão, com efeito
especial ou não. O jeito foi substituir por um busto,
encontrado em uma repartição pública. Mais difícil do
que carregar a estátua, toda de bronze, para o local,
foi vencer a burocracia e obter autorização para filmar
o herói. Filmada em fundo azul, a cabeça também foi
aplicada sobre o fundo final.
As barreiras tradicionais
de produção e os possíveis acidentes foram
contornados, sem maiores problemas. Mas trabalhoso mesmo
foi o levantamento detalhado dos parâmetros técnicos.
Em cada cena, um relatório completo com dados de foco,
profundidade de campo, alturas, distâncias, perspectivas
etc. informavam aos diretores como deveria ser composta a
cena de estúdio, com os integrantes do Olodum em fundo
azul.Com uma montagem básica das locações, a equipe
foi para estúdio com um switcher que permitia o recorte
na hora da filmagem, para conferir as referências de luz
e distância. As 14 cenas foram feitas em dois dias, com
iluminações diferentes para cada uma, sempre
reproduzindo as condições ao vivo.
Um técnico da Casablanca
acompanhou todo o processo de captação de imagens,
orientando quanto ao recorte e composição da luz. Ao
todo, foram 18 horas de telecine, principalmente para
igualar a luz, e outras 70 horas de full-house nos
equipamentos da finalizadora.
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