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 Usuário  
Senha
chova ou faça sol
  Cliente: América do Sul Promoções
Apoio no Brasil:
DM9
Produto:
Cerveja Assahi
Som Direto:
Bié Gomes
 
Em meio a uma equipe formada exclusivamente por japoneses, o técnico de som direto Bié Gomes meteu-se bem embaixo das Cataratas do Iguaçu para captar o som de um filme da cerveja Assahi, destinada ao mercado japonês. A equipe levava 200 malas de equipamento e foi transportada de bote pelo rio até as proximidades das Cataratas. Toda a produção foi montada em pedras no meio do rio e a função de Bié era captar a fala do ator japonês que gritava em meio ao barulho ensurdecedor da água.

Sua intenção era a de levar um gravador Nagra, mais resistente, mas os japoneses preferiram o DAT. "Para alegria dos ‘datistas’, eles comportaram-se bem, mesmo com aquela chuvinha que cai das Cataratas", conta o tradicionalista Bié. A sugestão do diretor era usar um microfone sem fio, pois naquelas condições era difícil tirar o "boom" de quadro. Mas como o ator ficava completamente molhado, o que poderia prejudicar o transmissor do microfone, então o jeito foi usar o "boom". Mesmo tendo o som aprovado pelos japoneses, o técnico não se convenceu de que estava bom. "Ainda não foi dessa vez que conseguimos fazer um som de um homem gritando embaixo de toda aquela água com um resultado ideal", diz, auto-crítico.

As peripécias continuaram em outra seqüência, filmada no meio do rio. Os atores estavam em um jipe atolado e o microfonista tinha de andar de costas sobre as pedras, desviando de galhos e mantendo microfone no eixo, sem deixá-lo entrar em quadro.

Apesar de todas as dificuldades, a produção japonesa compensou. "Levamos oito dias para fazer o filme, porque o fotógrafo fazia questão de usar a luz do dia perfeita. Todo mundo recebeu em dinheiro no fim da filmagem e, para se ter uma idéia, o cachê do fotógrafo foi de US$ 100 mil", afirma Bié. Mas, mais importante do que o pagamento e as boas condições de trabalho, foi confirmar sua velha tese de que, para captar som em cinema, nada melhor que o velho Nagra. "Perguntei para o diretor o que eles usavam em longa e ele me respondeu que ainda é o Nagra, na terra dos inventores do DAT!"