| Em meio a uma equipe formada exclusivamente
por japoneses, o técnico de som direto Bié Gomes
meteu-se bem embaixo das Cataratas do Iguaçu para captar
o som de um filme da cerveja Assahi, destinada ao mercado
japonês. A equipe levava 200 malas de equipamento e foi
transportada de bote pelo rio até as proximidades das
Cataratas. Toda a produção foi montada em pedras no
meio do rio e a função de Bié era captar a fala do
ator japonês que gritava em meio ao barulho ensurdecedor
da água. Sua intenção era a de levar um gravador
Nagra, mais resistente, mas os japoneses preferiram o
DAT. "Para alegria dos datistas, eles
comportaram-se bem, mesmo com aquela chuvinha que cai das
Cataratas", conta o tradicionalista Bié. A
sugestão do diretor era usar um microfone sem fio, pois
naquelas condições era difícil tirar o
"boom" de quadro. Mas como o ator ficava
completamente molhado, o que poderia prejudicar o
transmissor do microfone, então o jeito foi usar o
"boom". Mesmo tendo o som aprovado pelos
japoneses, o técnico não se convenceu de que estava
bom. "Ainda não foi dessa vez que conseguimos fazer
um som de um homem gritando embaixo de toda aquela água
com um resultado ideal", diz, auto-crítico.
As
peripécias continuaram em outra seqüência, filmada no
meio do rio. Os atores estavam em um jipe atolado e o
microfonista tinha de andar de costas sobre as pedras,
desviando de galhos e mantendo microfone no eixo, sem
deixá-lo entrar em quadro.
Apesar de
todas as dificuldades, a produção japonesa compensou.
"Levamos oito dias para fazer o filme, porque o
fotógrafo fazia questão de usar a luz do dia perfeita.
Todo mundo recebeu em dinheiro no fim da filmagem e, para
se ter uma idéia, o cachê do fotógrafo foi de US$ 100
mil", afirma Bié. Mas, mais importante do que o
pagamento e as boas condições de trabalho, foi
confirmar sua velha tese de que, para captar som em
cinema, nada melhor que o velho Nagra. "Perguntei
para o diretor o que eles usavam em longa e ele me
respondeu que ainda é o Nagra, na terra dos inventores
do DAT!"
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