| Para mostrar a maior livraria
da América Latina, o diretor Eduardo "Xocante" optou por uma linguagem ao
melhor estilo de Alfred Hitchcock. Um pouco resultado de sua própria formação de
montador, outro tanto de responsabilidade da criação, o diretor desde o princípio
utilizou-se de técnicas que o mestre do suspense levou ao extremo em "Festim
diabólico", um filme que parece ser feito de um único plano, já que as mudanças
de rolo são feitas sempre quando a câmera se encontra com um fundo negro, ou por trás
de alguém que passa. Segundo Marina
Pechlivanis, uma das responsáveis pela criação do filme, a agência precisava enfatizar
o fato de que a livraria é muito grande e o filme deveria explorar esse espaço. A
idéia, então, foi mostrar o passeio de um repórter pela loja. A partir daí, a
criação partiu para um repórter de fala inglesa, que apresenta a livraria sem que
ninguém identifique sua nacionalidade (um cuidado extra foi tomado para evitar que
qualquer letreiro em português fosse visto).
Para explorar essa amplidão, o diretor
optou pelo steadycam, que passeia levemente pela loja sem criar um clima excessivamente
jornalístico, com movimentos bruscos de câmera na mão. O filme todo é composto de
planos longos e na hora de cortar, Xocante usou o recurso da "cortina", a
exemplo de Hitchcock. Cada vez que um corte vai ser feito, ele acontece exatamente no
momento em que duas imagens se sobrepõem, isto é, por trás de alguém que passa ou de
um objeto.
Tudo, na verdade, já está bem claro na
cabeça do montador, digo, diretor, que depois de trabalhar tantos anos em montagem não
consegue deixar de lado seus velhos vícios. "É quase impossível alterar o filme na
montagem, porque o Xocante costuma filmar com os planos bem definidos", segreda uma
assistente. Um velho hábito desenvolvido por Alfred para evitar
"interferências" no final do processo... |