| "Não
foi fácil". Esta é a segunda vez que Oswaldo
Zanetti faz a campanha publicitária da Associação de
Amparo à Criança Deficiente (AACD), mas a emoção
nunca tinha sido tão forte. No ano passado, o filme foi
feito em estúdio, com bonequinhos. Este ano, a agência
sugeriu que a equipe trabalhasse em contato direto com as
crianças, da mesma forma que a apresentadora do filme, a
atriz Marisa Orth. As imagens fortes emocionaram a toda a
equipe, mas coube ao diretor garantir a tranqüilidade
das filmagens. "Imagine, se eu não conseguisse
segurar as lágrimas ia acabar contagiando toda a
equipe", conta. O
filme foi todo feito com a ajuda dos diversos
participantes, ou seja, a equipe, que já está
acostumada a trabalhar junta, se reuniu mais uma vez, sem
cachê, para fazer o filme, da mesma forma que agência e
fornecedores. Depois de um período de ambientação,
todos começaram a tratar as crianças com mais
naturalidade. "Quem convive diariamente com as
crianças, como as pessoas que trabalham lá, não se
emociona tanto, mas quem não tem envolvimento direto
fica um pouco receoso no início", afirma o diretor.
Marisa Orth também
embarcou em um dia inteiro de filmagens dentro da AACD
porque encara de frente o problema, já que tem um irmão
deficiente. Até mesmo as cenas em que a atriz poderia
ter gravado em estúdio, em fundo azul, foram produzidas
na própria entidade, pois a proposta do filme era, acima
de tudo, mostrar a convivência com as crianças.
A campanha toda começou
na Rede Globo, com um programa Você Decide sobre o tema
e uma inserção de dois minutos, em forma de
documentário, no intervalo comercial. "Para mim um
filme de dois minutos é quase um longa-metragem, foi um
desafio, mas eu quis fazer assim mesmo porque a
experiência já tinha sido boa", conta Zanetti.
Além do filme inicial, que depois foi transformado em
uma versão de 30 segundos, dois outros filmes foram
feitos, ambos de 30 segundos, com crianças da própria
instituição. É o caso do garoto que é surpreendido
colando e sai da classe com suas muletas - uma forma de
mostrar que as crianças devem ser tratadas como iguais,
sem preconceito.
O outro filme mostra uma
garotinha que faz exercícios de fisioterapia em sua
boneca. Depois descobre-se que ela é deficiente física
e vai à AACD para estudar e fazer seus exercícios. A
filmagem foi feita cinco dias antes da visita da equipe
à sede da instituição. No dia, a garotinha reconheceu
o diretor na mesma hora, e foi abraçá-lo. "Ela
ficou minha amiga e a sensação foi exatamente a mesma
de tantas outras crianças que já participaram dos
filmes que fiz", diz Zanetti.
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