| A princípio, o filme não tem grandes
dificuldades - apenas a interação dos personagens da
família Jetson com um cenário. Seria simples, se os
personagens de animação convencional não interferissem
no ambiente. Para começar, a nave espacial dos Jetsons,
ao estacionar em frente à agência bancária, bate nos
carros da frente e de trás, que se movem. Foi calculada
a proporção da nave em relação aos carros e o
movimento foi feito com efeito mecânico executado pela
equipe de Ricardo Ostrower, especialista em efeitos com
automóveis. Com tudo cronometrado, os carros se movem ao
mesmo tempo, dando a impressão de que realmente houve um
choque com a nave.O cachorro Astor entra no banco e, da
mesma forma, interage com a porta automática, que prende
sua cabeça. A porta passou a funcionar na forma manual e
com vários ensaios foi possível fechá-la deixando
apenas o espaço certo para que a cabeça de Astor fosse
encaixada. A nova campanha do Banco Bandeirantes, em
veiculação em Belo Horizonte, pretende utilizar a
família Jetson para mostrar os avanços tecnológicos do
banco. Para isso, foram adquiridos os direitos sobre os
personagens da Hanna-Barbera por um ano. A burocracia que
esta operação envolve também é digna de nota.
Juntamente com o contrato, a empresa envia um calhamaço
de informações, com orientação para os animadores e
modelos dos personagens em todos os ângulos possíveis.
Não é permitido fazer qualquer alteração nos modelos,
muito menos alterar a cor dos desenhos. A vinculação
direta dos personagens com o anunciante também não é
permitida. Não se pode, por exemplo, estampar o logotipo
do banco na camiseta de George Jetson ou de qualquer
outro personagem.
Segundo
Fabiano Liporoni, diretor do filme, a grande dificuldade
enfrentada pela equipe foi a exigüidade dos prazos.
Entre aprovação do orçamento e entrega de cópias,
foram 25 dias, mas o ideal, na avaliação de Fabiano,
seriam 45. "Para trabalharmos com folga e podermos
acrescentar outros efeitos, precisaríamos de 30 dias só
para a animação", afirma.A ampliação do prazo
ajudaria a compor alguns detalhes que dariam uma cara
mais realista no filme, como por exemplo na cena em que
Jane Jetson senta-se no sofá, movendo o couro dos
braços e do assento. Para fazer isso, a produção
colocou um garoto bem magrinho sentado no sofá e
sobrepôs sua imagem com o desenho de Jane. Uma das
idéias para finalizar a história seria fazer o cachorro
Astor pular no sofá e depois pular no colo de George.
Para isso, seria preciso utilizar um recurso semelhante
para afundar o sofá, o que, em tão pouco tempo, ficou
inviável.
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