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M. Officer volta às telas do cinema para comemorar seus dez anos e novamente
traz um filme elaborado e onírico. O cenário utilizado neste caso foi
a própria fábrica da confecção, devidamente trabalhada pelo artista
plástico Marcos Sachs, que assina a direção de arte. A idéia do filme
é mostrar a devastação do ambiente e o lixo decorrente da sociedade
atual de consumo. A contrapartida é uma artista plástica que trabalha
com sucata e forja com suas próprias mãos as instalações representadas
pelo cenário, um galpão de 270 metros quadrados, com oito metros de
altura.
O
roteiro do filme foi feito pelo próprio dono da M. Officer, Carlos
Miele, que chamou o diretor Marquinhos Fernandes para criar sua própria
viagem a partir da idéia inicial. Segundo Marquinhos, cada parte envolvida
teve liberdade para opinar sobre o filme - e a partir dessa liberdade
foi criado o cenário e as relações entre o ambiente e os personagens.
Durante todo o filme, mostra-se a relação entre a artista que, no
ambiente interno trabalha com a sucata, e seu outro eu, representado
por um homem, que explora o ambiente externo para trazer novas referências.
Marquinhos
explica que um dos principais desafios foi trabalhar com esse ambiente
imenso e criar as conexões entre os atores, colocando-os à vontade
em seu meio. Mesmo em situações difíceis, como na chuva ou operando
um esmeril, os modelos incorporaram seus personagens e mostraram-se
dispostos a tudo. A escolha recaiu sobre três modelos brasileiros
com carreiras internacionais, que nunca haviam atuado.
A
luz utilizada, ressalta o diretor, também contribuiu para o clima
do filme. Foram 120 Kg de luz. Segundo Marquinhos, foi utilizado um
tipo de iluminação conhecido como aura soft. Trata-se de um refletor
de alta potência, mas que evita a formação de sombras desagradáveis.
"É ótimo para moda, porque tem potência mas chega suave à pele
dos atores", conta.
A
finalização foi feita no Edit Box do Estúdio Abertura, mas, segundo
relata Marquinhos, a opção de usar o equipamento foi feita no sentido
de retocar algumas partes e realçar luzes e cores. "Não há nada
de eletrônico, mas a montagem contou com mais recursos", explicou.
Depois de finalizado, o filme foi para Nova York para ser kinescopado,
para que possa ser exibido nos cinemas com qualidade superior à dos
telões.
Uma
curiosidade: para reforçar a idéia de reciclagem e de sucata, também
participaram do filme dois garrafeiros legítimos, que vieram com seus
carrinhos. Como cachê, puderam levar tudo que conseguissem carregar
do cenário.
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