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reciclagem
  Cliente: M. Officer
Criação e Produção: M. Officer
Produtora: The Artists Company
Direção e Fotografia: MC Fernandes
Direção de Arte e Cenografia: Marcos Sachs
Montagem: Tintin
Música Original: João Marcelo Bôscoli
Finalizadora: Estúdio Abertura
 
A M. Officer volta às telas do cinema para comemorar seus dez anos e novamente traz um filme elaborado e onírico. O cenário utilizado neste caso foi a própria fábrica da confecção, devidamente trabalhada pelo artista plástico Marcos Sachs, que assina a direção de arte. A idéia do filme é mostrar a devastação do ambiente e o lixo decorrente da sociedade atual de consumo. A contrapartida é uma artista plástica que trabalha com sucata e forja com suas próprias mãos as instalações representadas pelo cenário, um galpão de 270 metros quadrados, com oito metros de altura.

O roteiro do filme foi feito pelo próprio dono da M. Officer, Carlos Miele, que chamou o diretor Marquinhos Fernandes para criar sua própria viagem a partir da idéia inicial. Segundo Marquinhos, cada parte envolvida teve liberdade para opinar sobre o filme - e a partir dessa liberdade foi criado o cenário e as relações entre o ambiente e os personagens. Durante todo o filme, mostra-se a relação entre a artista que, no ambiente interno trabalha com a sucata, e seu outro eu, representado por um homem, que explora o ambiente externo para trazer novas referências.

Marquinhos explica que um dos principais desafios foi trabalhar com esse ambiente imenso e criar as conexões entre os atores, colocando-os à vontade em seu meio. Mesmo em situações difíceis, como na chuva ou operando um esmeril, os modelos incorporaram seus personagens e mostraram-se dispostos a tudo. A escolha recaiu sobre três modelos brasileiros com carreiras internacionais, que nunca haviam atuado.

A luz utilizada, ressalta o diretor, também contribuiu para o clima do filme. Foram 120 Kg de luz. Segundo Marquinhos, foi utilizado um tipo de iluminação conhecido como aura soft. Trata-se de um refletor de alta potência, mas que evita a formação de sombras desagradáveis. "É ótimo para moda, porque tem potência mas chega suave à pele dos atores", conta.

A finalização foi feita no Edit Box do Estúdio Abertura, mas, segundo relata Marquinhos, a opção de usar o equipamento foi feita no sentido de retocar algumas partes e realçar luzes e cores. "Não há nada de eletrônico, mas a montagem contou com mais recursos", explicou. Depois de finalizado, o filme foi para Nova York para ser kinescopado, para que possa ser exibido nos cinemas com qualidade superior à dos telões.

Uma curiosidade: para reforçar a idéia de reciclagem e de sucata, também participaram do filme dois garrafeiros legítimos, que vieram com seus carrinhos. Como cachê, puderam levar tudo que conseguissem carregar do cenário.