| Em
meio a muito vento, um homem está perdido no deserto e tenta de todas
as formas atrair a atenção dos poucos passantes. Os carros desviam e
não há como parar alguém. Até que passa um caminhão da Brahma e com
a força do pensamento e o gesto de Nº 1, o personagem consegue fazer
o caminhão voltar. Essa é a história do novo filme da Brahma.
Deslocada
para o frio deserto do Mohavi, a equipe da Film Makers sofreu para
segurar seus pertences em meio a tanta ventania. O vento enfrentado
pelo personagem principal é real, assim como a luz do sol. A região
era tão deserta que a cidade mais próxima, brinca Milton Fischer,
era do tamanho do Estádio do Pacaembu. Para não precisar descer dos
caminhões, os carteiros percorrem as estradas do deserto dirigindo
sentados no banco dos passageiros. Assim, é possível deixar a correspondência
nas caixas de correio dos pouquíssimos moradores da região sem parar
o caminhão.
A
aventura no deserto culminou com um vôo sensacional da parte superior
do baú do caminhão. "O vento é tão forte que uma rajada levou
o topo do caminhão, que estava parafusado e pesava cerca de 250 quilos",
explica Milton. A peça foi jogada a 300 metros de distância, passando
por cima da câmera e de toda a equipe. "A situação climática
se reverte muito rápido e não há como prever. A temperatura não passava
de 25º e no final do dia o tempo ia esfriando."
A
idéia, desde o princípio, era filmar nos Estados Unidos e para isso
foi preciso construir um caminhão igual ao da Brahma lá. A produção
foi feita a partir de Londres, onde a produtora tem um representante,
e ao todo levou dois meses. O filme é estrelado pelo filho do dublador
Herbert Richers, Herbert Richers Júnior, que também é diretor de cinema
e, segundo Milton Fischer, mostrou-se extremamente disciplinado.
"Em
meio a tanto vento, acho que ele deve ter sofrido bastante, não só
pelo frio, mas por causa da areia e dos pedaços de vegetação que se
soltavam dos tambourilles e entravam nos olhos", conta.
A escolha, porém, não podia ser melhor. "Tanto que ele foi convidado
para fazer um longa metragem nos Estados Unidos por causa do filme",
diz.
O
efeito especial utilizado para fazer com que o caminhão retrocedesse
involuntariamente também foi produzido nos Estados Unidos. Atrás do
caminhão havia um guindaste atado a um eixo com duas rodinhas, que
ficavam no espaço entre as duas rodas originais - estas levemente
suspensas. Dessa forma, as rodas do caminhão continuaram a rodar para
a frente, sem tocar completamente o chão mas também sem aparentar
a distância, enquanto o guindaste puxava o caminhão para trás com
as duas rodinhas. No Edit Box do Estúdio Abertura, apagou-se o cabo
que ligava o guincho ao caminhão.
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