| Simples
como o próprio produto, o filme feito para os brinquedos Lego foi apresentado
em duas versões, uma em português e outra em inglês, no festival de
Cannes. Não foram utilizados efeitos especiais, mas o trabalho de luz
exigiu perfeição.
Apenas
com a música especialmente composta ao fundo, o filme mostra as supostas
criações de pessoas atualmente famosas que brincaram com Lego durante
a infância - o brinquedo foi criado em 1936.
Um
sofá de Lego representa Hebe Camargo, uma cama é a obra de Regininha
Poltergeist na versão nacional, e Madonna na estrangeira. Mike Tyson
e Maguila são representados por um brinquedo desmontado e várias peças
espalhadas. Pelé, com sua bola de Lego, foi o único ídolo a aparecer
nas duas versões, ao lado de Steven Spielberg e seu dinossauro e do
brinquedo que levita de David Copperfield.
Enquanto
a câmera focaliza o brinquedo, sua própria sombra se move, dando a
sensação de que todo o conjunto está se movimentando. Segundo o diretor,
João Daniel, a idéia de decorar o filme com sombras móveis foi dele,
a fim de projetar o brinquedo no fundo infinito branco e criar um
novo visual. Para chegar ao resultado ideal de luz, foi preciso fazer
uma série de tentativas e experiências. "Ficamos durante horas
mexendo na luz para criar as sombras ascendentes e descendentes",
explica o diretor.
A
grande dificuldade, além de fazer com que a própria sombra do brinquedo
se movesse, era evitar que a sombra se duplicasse, ou seja, assumisse
aquele aspecto de fantasma por trás do brinquedo. Os objetos foram
montados em tamanho pequeno, e apenas em alguns casos foi necessário
aumentar o tamanho para posicionar a sombra. Segundo João Daniel,
toda a produção se baseou justamente na criação da sombra, de uma
maneira totalmente natural, e é este o mérito do trabalho: a composição
cuidadosa e o jogo de luz.
A
única trucagem de pós-produção realizada foi na cena inspirada em
David Copperfield. O homenzinho de Lego que levita era preso por fios
de nylon, que foram apagados no computador.
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