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gato falante
  Agência: Fischer & Justus
Cliente: Nacional Seguros
Produto: Institucional
Produtora: Cinema Centro
Direção: Jayme Monjardim
Ass. Direção: Victor Trielli
Montagem: Victor Trielli/Cármine
Trilha: Play it Again
Efeitos: Geninho (Flame Casablanca)
Finalizadora: Casablanca
 
Com um pouco mais de tempo, tudo seria diferente. A produção do filme da Nacional Seguros foi feita basicamente no Flame da Casablanca e diversos processos foram experimentados até que se chegasse ao ideal dentro do prazo necessário. Se o filme fosse feito à semelhança do processo utilizado no filme Abracadabra, da Walt Disney, levaria cerca de um mês. No filme, há um gato preto que fala durante um longo tempo, e para fazê-lo mexer a boca foi usado um programa de modelagem em computação gráfica. Segundo Geninho, da Casablanca, a finalizadora poderia até optar pelo mesmo sistema, se houvesse mais tempo. "Se tivéssemos de fazer o trabalho na computação gráfica, frame a frame, teríamos recusado o filme", calcula Geninho. Com o Flame, o trabalho durou cerca de 24 horas.

Além da computação, outra possibilidade seria o uso de um morphe na própria boca do gato, de modo que fosse sendo alterada até se obter o resultado desejado. Apesar de o material filmado do gato atingir cerca de quatro horas de duração, não foi possível reunir uma quantidade de movimentos suficientes para se trabalhar no morphe. "O gato é um dos animais mais difíceis de se trabalhar, porque ele quase não abre a boca, que tem um formato meio triangular", explica Geninho.

A solução encontrada foi filmar uma boca real, falando o texto com uma entonação forte. A boca serviu de referência para os movimentos fonéticos de língua e lábios do gato. O modelo utilizado foi o próprio Geninho, que dublou o gato com um áudio guia, segurando o lábio superior, para formar um triângulo semelhante ao da boca do gato. A imagem, em seguida, foi distorcida no Flame e serviu de base para os movimentos, recebendo um tratamento de desenho por cima. Uma vez encontrada a forma correta dos movimentos da boca, ambas as imagens - da própria boca e do gato - foram sobrepostas. Vale reparar nos detalhes dos movimentos faciais do gato: não é apenas a boca que se mexe, mas também outros músculos que estariam envolvidos na fala e até mesmo os bigodes.

Para garantir uma quantidade razoável de imagens, a equipe da produtora trabalhou com três gatos diferentes, que foram se revezando durante todo o dia. Um deles foi mais requisitado e no final dos trabalhos, o cansaço era tão grande que o super-ator começou a se espalhar pelo estúdio. "O gato fica tão exausto que não toma mais conhecimento de nada, pode aparecer um cachorrão no estúdio que ele nem se levanta", conta Victor Trielli, assistente de direção.