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um pouco mais de tempo, tudo seria diferente. A produção do filme da
Nacional Seguros foi feita basicamente no Flame da Casablanca e diversos
processos foram experimentados até que se chegasse ao ideal dentro do
prazo necessário. Se o filme fosse feito à semelhança do processo utilizado
no filme Abracadabra, da Walt Disney, levaria cerca de um mês. No filme,
há um gato preto que fala durante um longo tempo, e para fazê-lo mexer
a boca foi usado um programa de modelagem em computação gráfica. Segundo
Geninho, da Casablanca, a finalizadora poderia até optar pelo mesmo
sistema, se houvesse mais tempo. "Se tivéssemos de fazer o trabalho
na computação gráfica, frame a frame, teríamos recusado o filme",
calcula Geninho. Com o Flame, o trabalho durou cerca de 24 horas.
Além
da computação, outra possibilidade seria o uso de um morphe na própria
boca do gato, de modo que fosse sendo alterada até se obter o resultado
desejado. Apesar de o material filmado do gato atingir cerca de quatro
horas de duração, não foi possível reunir uma quantidade de movimentos
suficientes para se trabalhar no morphe. "O gato é um dos animais
mais difíceis de se trabalhar, porque ele quase não abre a boca, que
tem um formato meio triangular", explica Geninho.
A
solução encontrada foi filmar uma boca real, falando o texto com uma
entonação forte. A boca serviu de referência para os movimentos fonéticos
de língua e lábios do gato. O modelo utilizado foi o próprio Geninho,
que dublou o gato com um áudio guia, segurando o lábio superior, para
formar um triângulo semelhante ao da boca do gato. A imagem, em seguida,
foi distorcida no Flame e serviu de base para os movimentos, recebendo
um tratamento de desenho por cima. Uma vez encontrada a forma correta
dos movimentos da boca, ambas as imagens - da própria boca e do gato
- foram sobrepostas. Vale reparar nos detalhes dos movimentos faciais
do gato: não é apenas a boca que se mexe, mas também outros músculos
que estariam envolvidos na fala e até mesmo os bigodes.
Para
garantir uma quantidade razoável de imagens, a equipe da produtora
trabalhou com três gatos diferentes, que foram se revezando durante
todo o dia. Um deles foi mais requisitado e no final dos trabalhos,
o cansaço era tão grande que o super-ator começou a se espalhar pelo
estúdio. "O gato fica tão exausto que não toma mais conhecimento
de nada, pode aparecer um cachorrão no estúdio que ele nem se levanta",
conta Victor Trielli, assistente de direção.
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