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Senha
brincadeira sem preconceito
ficha técnica
crianças
Cliente: Ministério da Saúde / Sorri Brasil

Produto: Institucional
Agência: BelmontCom.
Dir. de Criação: Daniel Belmont

Criação: Daniel Belmont, Octávio Gianinni e Ione Fabiano
Produtora: Planeta Produções
Direção: Marcelo Braga e Mazinho Botelho
Fotografia: Bobby Cohen
Produção: Cássio Mattos e Equipe Planeta
Montagem: William de Rogatis
Finalização: Planeta Produções e Espaço Digital
Trilha: Vice e Versa (maestro Fernando Ribeiro, violão Palhinha)

Em geral, trabalhar com crianças costuma exigir maior planejamento e concentração redobrada da equipe. Quando o número de crianças é muito grande, o empenho tem de ser ainda maior. No caso do filme "Crianças", além de haver 60 pimpolhos reunidos, parte deles era portadora de algum tipo de deficiência e só havia um dia para a filmagem.

O filme, criado pela equipe da BelmontCom, tem como objetivo divulgar uma mensagem antipreconceito, mostrando como é possível integrar o deficiente – seja físico ou mental – desde a infância. A idéia era mostrar muitas crianças brincando – crianças de todas as raças, normais ou especiais – em um grande jardim. "Quisemos mostrar que os deficientes têm os mesmos direitos de cidadania, mas que por preconceito não são respeitados. E as crianças, melhor do que ninguém, são capazes de se integrar sem preconceitos", analisa o diretor de criação Daniel Belmont.

A campanha, que inclui um filme de um minuto, 90 segundos e spots para rádio, foi criada para a Sorri Brasil, federação ligada ao Ministério da Saúde que reúne diversas ONGs que trabalham com deficientes.

O filme mostra as crianças brincando em um parque, em um ambiente que remete a sonho. Em off, a voz de um menino diz que um dia não haverá mais preconceito e todas as crianças poderão viver integradas. Enquanto o menino fala, as imagens mostram as crianças brincando juntas, com imagens em sépia. Então entra outra locução, feita pelo ator Paulo Goulart, dizendo que na verdade o sonho pode ser real, bastando apenas que as pessoas cumpram as leis já existentes, que propõem o acesso aos deficientes. As imagens, então, tornam-se coloridas.

casting especial

Para selecionar as crianças que participariam do filme, a produção recorreu a clientes anteriores. No ano passado, a Planeta já tinha produzido filmes para a AACD e o Centro de Informação para a Vida Independente (Civi). Aproveitando a proximidade dos temas, pediu sugestões. Era preciso ter uma proporção parecida com a da vida real entre as crianças especiais e normais – cerca de 10%, segundo o diretor Marcelo Braga. O grupo ainda deveria reunir portadores de tipos diferentes de deficiências. Com a ajuda das instituições, foram selecionadas uma criança cega, algumas com deficiências físicas, outra com paralisia cerebral e outra com síndrome de Down. Braga também tinha de escolher crianças normais que encarassem a situação da forma mais natural possível. Por isso, recorreu a uma escola na capital paulista que promove a integração de deficientes e mesclou com crianças de diversas origens étnicas, já que o filme prega, antes de mais nada, o fim de qualquer tipo de preconceito.

integração com tato

Além de todas as preocupações com as crianças, a produtora tinha apenas uma diária para rodar todos os planos e o roteiro pedia um dia ensolarado, com o céu bonito. O planejamento teve de ser feito nos mínimos detalhes, com um shooting board seguido à risca.

Quando se fala em 60 crianças no casting, também devem ser considerados 60 acompanhantes. Ou seja, as locações receberam cerca de 120 pessoas para o filme, fora as quase 40 pessoas da equipe.

O diretor Mazinho Botelho conta que a ambientação com as crianças custou um pouco, porque os cuidados sempre acabam sendo excessivos. "Ficamos procurando as palavras, porque nessas horas descobrimos que também temos dificuldade para lidar com a situação", diz Botelho. "Tivemos muito tato para explicar as cenas antes e colocar cada criança na cena mais adequada. Mas elas mesmas descontraíam o ambiente, estavam rindo o tempo todo. É incrível quando paramos para pensar. Reclamamos de tantas coisas e essas crianças estão sempre rindo...", completa Braga.

No filme, é possível notar a presença de duas crianças que têm uma grave deficiência física. Ambos têm o mesmo problema: as pernas e um dos braços não são completos. Com o auxílio de próteses ou apenas de um protetor, os dois caminham e brincam normalmente. A garota participou de uma cena em que várias crianças andam sobre o tronco de uma árvore. O garoto estava muito à vontade brincando de esconder. "Propusemos sempre brincadeiras simples, brincadeiras de rua às quais qualquer um pode ter acesso", afirma Braga.

câmera presente

As cenas foram rodadas em um bosque no Sesc Interlagos, zona sul de São Paulo. A produção utilizou uma câmera 35 mm e alguns recursos extras para mostrar as situações mais de perto. As cenas do alto foram feitas com uma grua e a partir de um certo ponto das filmagens foi usado um steadicam, que permitia uma visão mais próxima das crianças.

A montagem foi feita na própria produtora, mas as cenas que remetem a sonho foram trabalhadas em Smoke na Espaço Digital. "As cenas de sonho foram as últimas a ser filmadas. Nessa época do ano, no final da tarde, o sol fica muito baixo e perdemos um pouco dos fundos. No Smoke, fizemos os highlights e aqui tratamos as imagens em sépia", explica Braga.

"Apesar de termos uma só diária para filmar, o bom de trabalhar com crianças é que elas se integram naturalmente. Não precisamos ensaiar nada, porque o roteiro simplesmente pedia que elas brincassem – e elas agem de maneira muito natural", conclui Daniel.