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Em seu novo videoclipe,
para a balada "A lua q eu t dei", a cantora Ivete Sangalo
está no centro de uma caixa de imagens que os diretores do
filme chamam de "subconsciente". É como se ela estivesse
envolvida por suas próprias lembranças, que passam continuamente
nas quatro paredes visíveis do cubo. Na verdade, o ambiente
foi criado com quatro telões justapostos, cada um com seis
metros de altura e 4,5 m de largura. As imagens foram projetadas em
back projection e saíram dos arquivos da produtora ou do Image
Bank, que forneceu trechos de seu banco de filmes.
"Escolhemos
imagens que simbolizassem os pensamentos, mas que não fossem
óbvias, que não fossem legendas de fotos. Fizemos uma
pesquisa ampla no banco de imagem, escolhendo aquelas que tivessem
um caráter subliminar e representassem idéias de amor,
perda, dor e sonho", explica o diretor. Além das imagens
de arquivo, o clip faz uma homenagem a Herbert Vianna, autor da música
e do solo de guitarra que existe na gravação. Nesse
momento, o clip utiliza imagens, cedidas pela Conspiração
Filmes, de um clip do músico.
combinação
A principal dificuldade
da equipe de produção foi a de montar os telões
para a back projection. No mercado não há nada semelhante
já pronto. "Hoje é difícil ver filmes usando
back projection e não há nada parecido com o que fizemos,
com quatro telas projetando simultaneamente", diz o diretor Caio
Abréia. A intenção era a de criar uma caixa praticamente
sem emendas, em cujas paredes as imagens exibidas também fossem
complementares, não só no sentido como no encaixe. Para
montar toda essa estrutura, em apenas uma noite, a produtora convocou
uma equipe de 50 pessoas. Os telões eram armações
de ferro, recobertas com tecido.
Outra dificuldade
foi combinar as imagens diferentes de cada telão, de modo a
que elas "conversassem" entre si sem criar ruídos
e sem ressaltar as emendas entre cada uma das paredes. "Montamos
quatro fitas, cada uma para um telão. Levamos quase duas semanas
só para editar as fitas, pensando no sincronismo dos movimentos",
conta o diretor Manitou Felipe. "O montador teve de editar pensando
sempre em quatro imagens e não em uma", completa Abréia.
subconsciente
Na maioria das
cenas, a cantora aparece no centro da caixa, mas as cenas dela são
complementadas por planos de outros casais, escolhidos a partir de
um casting um tanto exótico. "É difícil
falar sobre romantismo sem ser cafona. Queríamos fugir das
histórias clássicas e dos clips de cantores românticos",
afirma Abréia. "Quisemos humanizar um pouco o filme, para
não concentrar nela o tempo todo. Por isso, decidimos escolher
casais que saem do padrão e mostrar que o amor existe e é
tão grande como em qualquer casal", continua.
Um casal de garotas
e um de rapazes, um tatuado e uma patricinha e também dois
velhinhos aparecem no centro da caixa. "Neste mundo onde há
mais casais separados do que juntos, quisemos representar uma relação
duradoura, de 50 anos", conta Caio.
O despojamento
do cenário combina com a simplicidade do figurino de Ivete,
que aparece praticamente sem maquiagem, vestindo uma roupa casual
e de cabelos soltos. "É como se ela fosse a artista que
criou toda aquela instalação", diz Caio.
A combinação
das imagens, segundo Manitou, surpreendeu a todos. "Nós
não fazíamos idéia de como seria a sensação
de quem estava dentro do cubo. O resultado foi superemocionante e
quem entrava se identificava com alguma das imagens. A própria
Ivete se emocionou", conta.
adequação
Além das
paredes, o cenário era composto de um chão de brita,
o que conferiu um clima ainda mais intimista quando combinado às
imagens, todas em preto e branco, mas que assumiam um tom azulado
nos telões.
A escolha do
piso estava relacionada a uma cena em que o cenário é
inundado por uma chuva. "O problema em filmar naquelas condições
era a iluminação. A chuva costuma ficar bonita com contraluz,
por isso fica difícil criar o efeito sem parecer falso nas
condições que tínhamos. Criamos uma caixa de
luz que envolvia a fonte de água e iluminamos por cima. Assim
conseguimos a impressão de que a água invadia toda o
cenário", explica Abréia.
Como os telões
tinham seis metros de altura, havia uma dificuldade adicional em captar
imagens de cima. O clip começa com um travelling que sai de
trás de um telão, passa por cima e chega à cantora,
que está no centro. "Usamos um cam remote para controlar
a câmera e construímos rampas, já que o estúdio
tinha apenas oito metros de altura - insuficientes para usar uma grua",
explica Manitou.
As dificuldades
técnicas obrigaram a equipe a usar a bitola 35 mm, "Não
só por causa do cam remote mas também porque a película
16 mm não imprime o negativo com as imagens das back projections",
acrescenta. A potência do projetor tinha de ser alta, para que
as imagens fossem bem definidas.
As imagens das
paredes do cubo foram captadas com lentes grande angular de 8 mm e
10 mm. "Também usamos lentes básculas, que permitem
um controle sob as áreas de desfoque no mesmo quadro",
conta Manitou.
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