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Senha
cubo do inconsciente
ficha técnica
videoclipe
Artista: Ivete Sangalo
Música: A lua q eu t dei
Gravadora: Universal Music
Produtora: Yes
Direção: Chico Abreia, Caio Abreia e Manitou Felipe
Fotografia: Edgar Moura
Montagem: Marcelo Moraes
Finalização: EstúdiosMega

Em seu novo videoclipe, para a balada "A lua q eu t dei", a cantora Ivete Sangalo está no centro de uma caixa de imagens que os diretores do filme chamam de "subconsciente". É como se ela estivesse envolvida por suas próprias lembranças, que passam continuamente nas quatro paredes visíveis do cubo. Na verdade, o ambiente foi criado com quatro telões justapostos, cada um com seis metros de altura e 4,5 m de largura. As imagens foram projetadas em back projection e saíram dos arquivos da produtora ou do Image Bank, que forneceu trechos de seu banco de filmes.

"Escolhemos imagens que simbolizassem os pensamentos, mas que não fossem óbvias, que não fossem legendas de fotos. Fizemos uma pesquisa ampla no banco de imagem, escolhendo aquelas que tivessem um caráter subliminar e representassem idéias de amor, perda, dor e sonho", explica o diretor. Além das imagens de arquivo, o clip faz uma homenagem a Herbert Vianna, autor da música e do solo de guitarra que existe na gravação. Nesse momento, o clip utiliza imagens, cedidas pela Conspiração Filmes, de um clip do músico.

combinação

A principal dificuldade da equipe de produção foi a de montar os telões para a back projection. No mercado não há nada semelhante já pronto. "Hoje é difícil ver filmes usando back projection e não há nada parecido com o que fizemos, com quatro telas projetando simultaneamente", diz o diretor Caio Abréia. A intenção era a de criar uma caixa praticamente sem emendas, em cujas paredes as imagens exibidas também fossem complementares, não só no sentido como no encaixe. Para montar toda essa estrutura, em apenas uma noite, a produtora convocou uma equipe de 50 pessoas. Os telões eram armações de ferro, recobertas com tecido.

Outra dificuldade foi combinar as imagens diferentes de cada telão, de modo a que elas "conversassem" entre si sem criar ruídos e sem ressaltar as emendas entre cada uma das paredes. "Montamos quatro fitas, cada uma para um telão. Levamos quase duas semanas só para editar as fitas, pensando no sincronismo dos movimentos", conta o diretor Manitou Felipe. "O montador teve de editar pensando sempre em quatro imagens e não em uma", completa Abréia.

subconsciente

Na maioria das cenas, a cantora aparece no centro da caixa, mas as cenas dela são complementadas por planos de outros casais, escolhidos a partir de um casting um tanto exótico. "É difícil falar sobre romantismo sem ser cafona. Queríamos fugir das histórias clássicas e dos clips de cantores românticos", afirma Abréia. "Quisemos humanizar um pouco o filme, para não concentrar nela o tempo todo. Por isso, decidimos escolher casais que saem do padrão e mostrar que o amor existe e é tão grande como em qualquer casal", continua.

Um casal de garotas e um de rapazes, um tatuado e uma patricinha e também dois velhinhos aparecem no centro da caixa. "Neste mundo onde há mais casais separados do que juntos, quisemos representar uma relação duradoura, de 50 anos", conta Caio.

O despojamento do cenário combina com a simplicidade do figurino de Ivete, que aparece praticamente sem maquiagem, vestindo uma roupa casual e de cabelos soltos. "É como se ela fosse a artista que criou toda aquela instalação", diz Caio.

A combinação das imagens, segundo Manitou, surpreendeu a todos. "Nós não fazíamos idéia de como seria a sensação de quem estava dentro do cubo. O resultado foi superemocionante e quem entrava se identificava com alguma das imagens. A própria Ivete se emocionou", conta.

adequação

Além das paredes, o cenário era composto de um chão de brita, o que conferiu um clima ainda mais intimista quando combinado às imagens, todas em preto e branco, mas que assumiam um tom azulado nos telões.

A escolha do piso estava relacionada a uma cena em que o cenário é inundado por uma chuva. "O problema em filmar naquelas condições era a iluminação. A chuva costuma ficar bonita com contraluz, por isso fica difícil criar o efeito sem parecer falso nas condições que tínhamos. Criamos uma caixa de luz que envolvia a fonte de água e iluminamos por cima. Assim conseguimos a impressão de que a água invadia toda o cenário", explica Abréia.

Como os telões tinham seis metros de altura, havia uma dificuldade adicional em captar imagens de cima. O clip começa com um travelling que sai de trás de um telão, passa por cima e chega à cantora, que está no centro. "Usamos um cam remote para controlar a câmera e construímos rampas, já que o estúdio tinha apenas oito metros de altura - insuficientes para usar uma grua", explica Manitou.

As dificuldades técnicas obrigaram a equipe a usar a bitola 35 mm, "Não só por causa do cam remote mas também porque a película 16 mm não imprime o negativo com as imagens das back projections", acrescenta. A potência do projetor tinha de ser alta, para que as imagens fossem bem definidas.

As imagens das paredes do cubo foram captadas com lentes grande angular de 8 mm e 10 mm. "Também usamos lentes básculas, que permitem um controle sob as áreas de desfoque no mesmo quadro", conta Manitou.