Pequenos provedores de Internet estão sendo procurados por algumas companhias de DTH para que, através de uma parceria, possam acelerar a sua entrada no mercado de TV por assinatura e se livrar do alto custo de programação.
Para as empresas de DTH esse tipo de acordo acelera a formação rápida de uma base de clientes, uma vez que o provedor já tem um relacionamento com seus clientes de banda larga. Além disso, toda a parte de call center, instalação e manutenção ficaria a cargo do provedor. Para o provedor, a grande vantagem é a de não ter de negociar a compra de conteúdo, negócio em que ele não tem nenhuma experiência. Além disso, livra o pequeno provedor de negociar capacidade satelital para receber a programação, o que também tem custo elevado. No mercado, esse tipo de operação vem sendo chamado de “marca branca”.
Do ponto de vista regulatório, a Anatel não se opõe. O superintendente de comunicação de massa, Marconi Maya, afirma que trata-se de um acordo comercial e, por isso, não precisa ser regulamentado. Ele alerta, entretanto, que nesse caso o cliente pertence à operadora de DTH, que deve ter a licença do SeAC. O provedor seria como um revendedor do serviço.
O modelo já foi adotado no passado pela Telefônica com a DTHi, que resultou no serviço Você TV e permitiu que a tele entrasse no mercado antes de ter sua operação própria de DTH. Agora, a mesma DTHi começa a procurar os provedores com o objetivo de retomar esse modelo. Uma das empresas procuradas foi a Unotel, que tem como acionistas provedores de banda larga. A Unotel chegou a assinar um contrato temporário com a DTHi no começo de março, mas um mês depois resolver recuar.
O diretor financeiro da Unotel, Marcio Faria, explica que se tratava de um contrato tripartite entre a Unotel a DTHi e depois, individualmente, entre cada provedor interessado e a Unotel. Segundo ele, uma operação de DTH só se sustenta com no mínimo 500 mil assinantes, daí o interesse da DTHi em procurar os provedores.
O contrato foi rescindido, contudo, porque segundo Faria, porque a Unotel queria ter a governança da operação. O grande problema desse tipo de parceira, explica ele, é que o cliente é da empresa de DTH e, por isso, em uma troca de parceiro, o provedor pode se ver sem cliente nenhum de TV por assinatura. Segundo ele, além da DTHi outras empresas como a GVT e a Algar Telecom têm interesse em explorar esse modelo.
Helton Posseti.