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Política industrial quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012, 20h02
Governo deve deixar exigência do Ginga apenas para 2013

Ao que tudo indica, o decreto que estabelecerá o Processo Produtivo Básico (PPB) de televisores com o middleware Ginga está pronto para ser publicado e, segundo fontes do governo, deve isentar a indústria de incluir o Ginga nos equipamentos produzidos este ano. Em compensação, a partir de 2013, o percentual de televisores com Ginga deverá ser de 75% sobre toda a base, ou seja, tanto sobre televisores conectados quanto sobre televisores sem conectividade. Será possível abater dessa cota em 2013 até 15 pontos percentuais caso haja estoque de equipamentos com Ginga produzidos em 2012. Se confirmados os percentuais, já que esta semana ainda havia alguma movimentação junto às principais autoridades envolvidas, a mudança é significativa em relação ao que o governo esperava publicar em janeiro. Na época, o portal Convergência Digital informava que a ideia do governo naquele momento era exigir 30% de televisores com Ginga ainda este ano, 60% em 2013 e 90% em 2014.

A aposta do governo é que o Ginga será alavancado por uma profusão de aplicativos abertos e, sobretudo, aplicativos de governo eletrônico que serão embarcados nos televisores e devem ser produzidos com financiamento do governo. Mas as mesmas fontes reconhecem que ainda não existe muita clareza sobre a questão do canal de retorno. Ainda que seja possível um bom grau de interatividade simulada (aquela em que o usuário na verdade interage com dados armazenados na memória do dispositivo), dificilmente isso terá apelo no crescente ambiente de TVs conectadas, em que cada fornecedor tem o seu próprio middleware e ecossistema de desenvolvimento de aplicativos. Mais do que isso, com a perspectiva de televisores com sistema operacional Android, que é aberto a desenvolvedores (ainda que do lado do fabricante a Microsoft tenha entrado com diversas ações de cobrança de royalties), o governo sabe que terá que enfrentar uma disputa global no desenvolvimento de aplicativos. O cenário tende a se complicar caso surjam esse ano televisores com sistemas operacionais da Apple e Microsoft embarcados, como já apostam analistas.

Segundo integrantes do Forum TV Digital ouvidos por este noticiário, o Ginga é importante do ponto de vista das emissoras de TV para que os radiodifusores assegurem autonomia na interatividade, mas eles mesmos acreditam que o ideal seria exigir o middleware apenas em TVs conectadas, justamente por conta da crescente necessidade de um canal de retorno.
Segundo apurou este noticiário, para resolver o problema do canal de retorno, o governo chegou a cogitar colocar alguma obrigação de acesso à rede LTE das teles no edital de 2,5 GHz, mas avaliou que não haveria tempo para definir um modelo. Há ainda a expectativa de que a banda U da faixa de 2,5 GHz, que tem 15 MHz de largura e será destinada a aplicações do governo, possa um dia ser utilizada para isso. Ou que no bojo de um debate sobre o futuro da faixa de 700 MHz, em 2013, fique mais claro que alternativas poderão ser buscadas para uma interatividade plena que independa de um acesso do cidadão à Internet. Mas tudo isso está longe de uma definição.

Samuel Possebon.
COMENTÁRIOS
5 COMENTÁRIOS PARA ESTA NOTÍCIA
Francisco Gutemberg
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012 | 10h09
Pois não Sr° Rubens.

Em primeiro lugar quem disse que a inserção do DTVi custa R$200,00? A industria de televisores? Cadê a planilha mostrando como a mesma chegou a esse valor? O DTVi é middleware open source. Em sua concepção o Plano Produtivo Básico (PPB) prevê isenções e subsídios de impostos. Não é interesse fazer a sociedade pagar middleware. Não queremos isso. Em termos de subsídios R$200,00 é uma mixaria o governo poderia absorver tranquilamente estes custos se fosse o caso. Só que a industria quer ser ressarcida em muito mais que este valor.
GRZ
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012 | 17h41
Rubens, você está completamente enganado!
Não se trata de uma "obrigação" desnecessária do governo e sim uma necessidade para a interatividade! O que se vê é que o modelo de TV Digital foi definido e as empresas de eletrônicos não estão seguindo o que foi definido a anos atrás! daí surge a "necessidade" de obriga-las a cumprir! O governo tem sua culpa também! definiu o modelo de TV Digital sem o Ginga estar completamente pronto, deveria ter obrigado o uso do software e definido a frequência desde o começo do projeto e não anos depois! Em TV Digital, estamos muito atrasados sim, mas não culpe o Ginga que é um "excelente software" de código aberto exclusivo do Brasil! e esses R$ 200 que as empresas querem cobrar é um absurdo já que o software é Open Source. O Modelo de TV Digital brasileiro é muito bom, só está (muito) atrasado!
comunidade FOX SPORTS no orkut
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012 | 16h27
a tv digital terrestre no Brasil esta hiper atrasada, mesmo em sp. onde temos mais canais quase não se ve programas em alta definição, um atraso
Rubens
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012 | 10h00
É um completo e absurdo non-sense o g*verno querer obrigar os consumidores a pagar por esse novo "teletexto" inutil e ultrapassado que é o Ginga (o Teletexto era outra tecnologia ultrapassada que tentaram implementar no Brasil, mas que foi atropelada na epoca pela internet).

Francisco Gutemberg, explique aí porque eu, como consumidor, devo ser OBRIGADO a pagar pelo menos uns R$ 200 a mais no preço de um um televisor novo, meramente para ter esse inútil Ginga, um troço que ostensivamente está fadado a um retumbante fracasso comercial (interatividade na tv como a do Ginga nao funcionou em nenhuma parte do mundo).

Eu nao quero, mas tenho que pagar assim mesmo, só para fazer o bolso de alguns brasileiros que só inventam atraso. É isso?
Francisco Gutemberg Lopes Filho
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012 | 22h56
Ministro Paulo Bernades.

O Sr° é um covarde. Ao Invés de impor a sua autoridade à industria de televisores nacionais. O Sr° faz pior cede a uma ameaça. E transfere para o ano que vem a implementação do DTVi. Quem nos garante que os fabricantes de televisores não inventarão nos desculpas para não implementar o DTVi e ameçaram de ir a justiça para não fazê-lo como neste ano?
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